Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista ao canal Vesti.
Moscovo disse este sábado que os ataques ucranianos visam instalações civis, negando que atinjam infraestruturas ligadas à indústria militar russa, numa altura em que o país enfrenta uma crise de abastecimento de combustível atribuída aos sucessivos ataques da Ucrânia.
Dmitri Peskov, porta-voz do KremlinAP
"As ações do regime de Kiev têm natureza terrorista, e o regime está a atacar instalações do nosso setor energético, infraestruturas civis que, na realidade, nada têm a ver com a estrutura militar ou com a indústria da defesa", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista ao canal Vesti.
O porta-voz do Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que estes ataques constituem "uma manifestação evidente de atos terroristas" por parte da Ucrânia, alegando que Kiev intensificou as operações no interior da Rússia porque "a situação na frente de combate se deteriora inexoravelmente a cada dia".
Os ataques ucranianos contra infraestruturas petrolíferas e logísticas russas provocaram uma crise de escassez de combustível em várias regiões do país, situação que as autoridades russas negam, atribuindo-a antes a um aumento repentino da procura.
Ao longo dos últimos anos da guerra iniciada em 2022, Kiev tem procurado desgastar a economia russa, fortemente orientada para o esforço militar. As finanças públicas russas registaram igualmente um défice este ano, obrigando as autoridades económicas a rever o orçamento do Estado.
Apesar destas dificuldades, Moscovo mantém uma posição intransigente nas exigências dirigidas a Kiev para pôr termo ao conflito, enquanto o Kremlin assegura que as forças russas continuam a avançar e a conquistar território ucraniano.
"As nossas tropas estão a avançar", afirmou hoje Peskov, acrescentando que, "tendo em conta a agressividade do regime de Kiev, para garantir a segurança dos cidadãos russos será necessário criar uma zona de segurança ou de contenção" em território ucraniano.
As declarações de Peskov chocam com a notícia publicada hoje no diário moscovita Vedemosti, que adianta que a Rússia importou em junho um volume recorde de 141.000 toneladas de gasolina proveniente da Bielorrússia.
As importações de junho representaram um volume 2,4 vezes superior ao registado em maio. Em junho de 2025, as importações de gasolina bielorrussa tinham ascendido a apenas 1.000 toneladas.
Segundo o jornal russo, a Bielorrússia redirecionou para a Rússia exportações de combustível que estavam inicialmente destinadas a países da Ásia Central.
Os especialistas citados pelo Vedomosti consideram que esta medida deverá aliviar a situação do mercado russo, mas sublinham que não será suficiente para compensar totalmente a escassez de gasolina causada pelos sucessivos ataques ucranianos contra infraestruturas petrolíferas e logísticas.
Segundo meios de comunicação internacionais, o consumo diário de gasolina na Rússia durante o verão ronda as 110.000 toneladas. A Bielorrússia, por seu lado, tem capacidade para exportar entre 1,8 e 2 milhões de toneladas de gasolina por ano.
As autoridades russas continuam a negar que a crise de abastecimento resulte dos ataques aéreos ucranianos, atribuindo-a antes a um aumento repentino da procura.
Ainda esta semana, o Kremlin admitiu estar a negociar a importação de combustível de países terceiros. Posteriormente, a imprensa estrangeira noticiou que Moscovo tinha chegado a um acordo para importar gasolina da Índia.
Nos últimos dias, o Ministério da Energia do Quirguistão solicitou ajuda à Bielorrússia e aos países vizinhos para assegurar o fornecimento de combustível.
Estima-se que cerca de 90% da gasolina consumida por esta república da Ásia Central seja proveniente da Rússia.
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