Quem é Devin Nunes, o diretor da rede social criada por Trump?

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Diogo Barreto 21 de fevereiro
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"Chegou a hora de reabrir a Internet e permitir o livre fluxo de ideias e expressão sem censura", assegura Nunes que abandona o Congresso norte-americano.

Devin Nunes, de 48 anos, é um empresário e político norte-americano que serviu durante quase 20 anos como congressista do Partido Republicano pela Califórnia. Em dezembro de 2021 decidiu abandonar o Congresso para tomar o lugar como diretor da empresa que é dona da futura rede social de Donald Trump.

EPA/JIM LO SCALZO

Quando Donald Trump decidiu que iria lançar a sua própria rede social através da empresa Trump Media & Technology Group, escolheu ter o congressista republicano como diretor do projeto. A Trump Media & Technology Group, pretende lançar a Truth Social no início do próximo ano. Esta rede social pretende rivalizar com o Twitter, como tentou a Parler, e outras redes sociais que baniram Donald Trump após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro do ano passado. Os fãs de Donald Trump mostraram-se entusiasmados com a possibilidade de voltarem a ter um canal através do qual o milionário possa comunicar com eles.

"Chegou a hora de reabrir a Internet e permitir o livre fluxo de ideias e expressão sem censura", salientou Nunes, citado pelo comunicado do grupo Tump Media & Technology. "Os Estados Unidos da América tornaram realidade o sonho da Internet e será uma empresa americana que restaura o sonho", afirmou.

Nunes nasceu em 1973, filho de portugueses que tinham vindo dos Açores para a Califórnia. O seu avô foi um empresário proeminente na Califórnia no sector da produção de leite. Num artigo escrito para o Wall Street Journal e 2009, o então congressista explicou que a sua primeira experiência com negócios aconteceu quando tinha 14 anos e comprou sete cabeças de gado que revendeu, conseguindo uma margem de lucro. O tema do texto eram os impostos altos que, alegadamente, assustavam os empreendedores. 

Formado pela universidade em cursos relacionados com agricultura, Nunes dedicou-se à agricultura e rapidamente tornou-se um dos administradores da sua alma mater, tendo estado nesta função até 2002. Em 2001, o presidente George W. Bush nomeou Nunes para ser diretor do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América. Em 2002, o luso-descendente candidatou-se ao Congresso pelo estado da Califórnia, tendo sido eleito pelo Partido Republicano. 

Em 2016, o congressista avisou o secretário da Defesa dos Estados Unidos que "é provável" que as instalações da Base das Lajes "acabem na posse do governo chinês". "Como muitos no Congresso avisaram no passado, vários altos-representantes chineses visitaram os Açores em anos recentes. Sei agora que a China enviou uma delegação de cerca de 20 representantes, todos fluentes em português, numa viagem de pesquisa que durou semanas e que culmina com a visita do primeiro-ministro, Li Keqiang", disse Devin Nunes numa carta enviada a Ashton Carter.

Na carta interna, o congressista de origem açoriana garante que "a delegação chinesa é indicada como estando em negociações para expandir os seus investimentos e presença nas ilhas, incluindo o porto de mercadorias na Terceira, e que também expressaram interesse em utilizar a pista aérea da Base das Lajes".

Em 2019 foi notícia por ter processado por difamação vários órgãos de comunicação, da CNN ao Washington Post, mas também o Twitter por existir uma conta de paródia chamada "Devin Nunes cow" ("a vaca Devin Nunes").

Mais tarde, no processo de impeachment de Donald Trump, Nunes, que liderava a Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, apoiou Trump que foi acusado de pressionar o seu homólogo da Ucrânia para avançar com investigações sobre o filho de Joe Biden, que o poderiam beneficiar politicamente, nomeadamente nas eleições presidenciais de 3 de novembro, ganhas pelo democrata. A Câmara dos Representantes, de maioria democrata, votou pela destituição de Trump, mas o Senado, liderado pelos republicanos, absolveu Trump.

Mais tarde, o presidente norte-americano atribui a Medalha da Liberdade, a mais alta homenagem "civil da nação", a Devin Nunes, referindo que o congressista era um "talento incomparável, integridade inatacável e determinação inabalável". As "ações corajosas de Nunes ajudaram a frustrar uma conspiração para derrubar um presidente em exercício dos Estados Unidos", destacou então a Casa Branca, referindo ainda que Nunes "descobriu o maior escândalo da história americana".

Agora, Nunes vai liderar a Truth Social. Será esta a rede social do futuro?

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