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Presidente da Colômbia temeu ser capturado como Maduro: "Planeavam uma ação militar"

Isabel Dantas 09 de janeiro de 2026 às 10:20
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Gustavo Petro diz que falou com Donald Trump ao telefone e conseguiu convencer o líder norte-americano a "congelar" o ataque.

O presidente da Colômbia, que já foi apelidado por Donald Trump de "traficante", admitiu numa entrevista ao 'El País' que temeu sofrer o mesmo destino de Nicolás Maduro na Venezuela. Gustavo Petro, contou que falou recentemente com o líder norte-americano ao telefone e que essa conversa terá "congelado" o ataque a Bogotá.

Gustavo Petro, presidente da Colômbia
Gustavo Petro, presidente da Colômbia EPA

"Nicolás Maduro ou qualquer presidente do mundo pode ser capturado se não concordar com certos interesses", explicou Petro ao jornal espanhol, acrescentando que não reforçou a sua segurança pessoal. "Aqui [na Colômbia] nem há defesa antiaérea. Nunca se comprou porque a luta é interna. A guerrilha não possui aviões de combate F16 e o exército não tem esse tipo de equipamentos."

Petro não precisou que os serviços secretos da Colômbia o informassem da existência de um plano de ataque por parte dos Estados Unidos. "Trump dizia-o há meses", admitiu, reconhecendo que a ameaça do líder norte-americano está, por enquanto, "congelada". "Não sabemos que ação militar estava planeada, apenas que havia uma em curso. Trump disse-me ao telefone que estava a pensar fazer coisas más na Colômbia. A mensagem era que estavam a planear uma ação militar."

"Amigo" de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência da Venezuela na ausência de Nicolás Maduro, Gustavo Petro está preocupado com o que se passa no país vizinho. "Acusaram-na de ser uma traidora. É preciso fortalecer a unidade latino-americana, mas nesta área central é preciso unir o povo da Venezuela. Se a comunidade se dividir, colonizar-se-á. Se procurarem uma política sólida para lidar com o problema evidente que têm, poderão avançar."

Gustavo Petro diz que até partilha com algumas das ideias do presidente dos Estados Unidos no que toca à Venezuela, mas avisa que este tipo de ações de Trump podem ter consequências muito sérias. "A questão central é que há um choque de visões: a lei atual [dos EUA] permite a entrada noutros países se houver atividade criminosa, como o tráfico de droga, mas o direito internacional não. Se generalizarmos, podemos chegar a uma guerra mundial. A questão não é a Venezuela, a questão é a China: os Estados Unidos temem a concorrência com a China e procuram energia para competir comercialmente, mas isso vai levar a uma guerra."

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