Vencedor da Palma de Ouro, em Cannes, e nomeado aos Óscares por "Foi Só Um Acidente", o cineasta volta a enfrentar uma pena de prisão, desta vez de um ano.
O Tribunal Revolucionário Islâmico de Teerão confirmou a sentença contra o cineasta Jafar Panahi pelo crime de propaganda contra a República Islâmica do Irão, avança o jornal El País.
Jafar Panahi enfrenta novas acusaçõesScott A Garfitt/Invision/AP
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes pelo filme Foi Só Um Acidente - que também lhe valeu uma nomeação aos Óscares na categoria de Filme Internacional - Panahi regressou ao Irão a 30 de março, após a cerimónia em Hollywood. Foi condenado a um ano de prisão, ficando ainda impedido de sair do país durante dois anos e interdito de participar em organizações políticas e sociais. A defesa dispõe agora de um prazo de 20 dias, a contar da notificação da sentença, para recorrer para o Tribunal Provincial de Recurso de Teerão.
Segundo a acusação, refere o diário espanhol, a condenação baseia-se na realização de um filme clandestino contra o governo; no apoio a condenados por crimes contra a segurança do Estado, entre os quais Fatemeh Sepehri, Raheleh Rahemipour, Hossein Ronaghi, Mohammad Nourizad, Mehdi Mahmoudian e Abolfazl Ghadiani; no apoio aos protestos que têm ocorrido no país nos últimos meses; no apoio ao lema “Mulheres, Vida, Liberdade”; na assinatura e publicação de uma declaração sobre a greve dos camionistas; na difamação da situação no país; e na republicação de um vídeo com o hino nacional “Oh Irão”, em protesto contra a imposição e execução de penas de morte.
Em 2010, Panahi esteve preso durante 86 dias, acusado de propaganda contra o sistema. Condenado a seis anos de prisão, foi libertado após uma greve de fome e posterior recurso. Em julho de 2022, voltou a ser detido após uma visita à prisão de Evin para se inteirar das condições de outros dois realizadores (Mohammad Rasoulof e Mostafa Al-e Ahmad) detidos por apoiarem os protestos no Irão, sendo então informado de que tinha uma pena por cumprir. Na sequência de uma nova greve de fome, foi libertado em fevereiro de 2023.
Aclamado internacionalmente, o cineasta iraniano venceu o Leão de Ouro em 2000, no Festival de Veneza, com o filme O Círculo, que retrata a luta de várias mulheres para sobreviver numa sociedade iraniana profundamente sexista. Em 2015, o seu filme Taxi valeu-lhe o Urso de Ouro no Festival de Berlim, obra realizada e protagonizada clandestinamente pelo próprio cineasta, após ter sido proibido pelo governo iraniano de filmar durante 20 anos.
O seu mais recente filme, Foi Só Um Acidente, também rodado clandestinamente, conta a história de um homem que reconhece num mecânico aquele que acredita ter sido o seu torturador após uma greve por melhores condições salariais, decidindo raptá-lo.
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