Sábado – Pense por si

Escolha a Sábado como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Pequim considera que declarações de Rubio sobre Tiananmen “difamam” China

Lusa 04 de junho de 2026 às 20:34
As mais lidas

“Aqueles que se sacrificaram para defender os seus direitos inalienáveis à liberdade de expressão e de reunião pacífica verão um dia justificada a sua causa”, disse Rubio.

A China acusou hoje o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de difamação, depois de este ter homenageado as vítimas da sangrenta repressão na Praça Tiananmen, em 1989, condenando “a censura” do regime chinês.

Marco Rubio
Marco Rubio Julia Demaree Nikhinson/AP

Há 37 anos, a 4 de junho de 1989, os líderes chineses enviaram o Exército para dispersar os manifestantes concentrados na grande Praça Tiananmen, no centro de Pequim – um episódio que pôs fim a semanas de protestos contra a corrupção e exigindo reformas políticas.

A repressão continua a ser um tema tabu na comunicação social da China continental.

Na altura, o Governo chinês classificou oficialmente as manifestações de Tiananmen como um “motim contrarrevolucionário” instigado por “uma pequena minoria de pessoas com intenções não-reveladas”.

As autoridades justificaram o uso da força como necessário para pôr fim à “agitação política” e repor a ordem.

“Nenhuma censura pode apagar o passado”, declarou Marco Rubio na quarta-feira, em comunicado.

“Aqueles que se sacrificaram para defender os seus direitos inalienáveis à liberdade de expressão e de reunião pacífica verão um dia justificada a sua causa”, acrescentou.

As declarações de Rubio “distorcem os factos históricos, difamam o sistema político e o percurso de desenvolvimento da China”, reagiu hoje uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, numa conferência de imprensa regular.

A porta-voz instou-o a “acabar com as manobras de confrontação ideológica e com a ingerência nos assuntos internos da China sob o pretexto da democracia e dos direitos humanos”.

Continua a desconhecer-se o número exato de mortos no massacre de Tiananmen: as autoridades afirmaram que foram mortas entre 200 e 300 pessoas, entre as quais soldados, ao passo que outras estimativas oscilam entre 400 e mais de 2.000 mortos.

No território semiautónomo de Hong Kong, no sul da China, Pequim tem trabalhado nos últimos anos para eliminar todas as cerimónias públicas para assinalar a data.

Uma vigília anual à luz das velas era ali realizada há décadas, antes da entrada em vigor da lei de segurança nacional, em 2020.