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PCP quer saber se Bruxelas vai tentar libertar ativista portuguesa detida na Líbia

O eurodeputado comunista questionou instituição sobre o que vai fazer para garantir a libertação de ativistas que integravam flotilha humanitária terrestre destinada à Faixa de Gaza.

O eurodeputado do PCP,  João Oliveira, perguntou hoje à Comissão Europeia se vai tentar garantir a libertação da ativista portuguesa que foi detida na Líbia quando integrava uma flotilha humanitária terrestre destinada à Faixa de Gaza.

João Oliveira
João Oliveira ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Numa pergunta dirigida à Comissão Europeia e ao Conselho da União Europeia (UE), João Oliveira refere que a flotilha humanitária em questão, designada "Global Sumud Maghreb", tem como objetivo "levar urgente ajuda humanitária à população palestiniana na Faixa de Gaza, que se vê impedida de aceder a bens essenciais à sobrevivência em consequência do criminoso bloqueio imposto por Israel".

"No passado dia 24 de maio, dez ativistas daquela caravana humanitária internacional foram intercetados e detidos em Sirte, no leste da Líbia, quando tentavam garantir a passagem por um controlo de segurança", recorda.

O eurodeputado do PCP salienta que, desde então, "os dez ativistas, em que se inclui uma cidadã portuguesa, encontram-se incomunicáveis e sem se conhecer o seu paradeiro".

João Oliveira pergunta assim à Comissão Europeia e ao Conselho da UE "que diligências pretendem tomar para apurar o paradeiro da cidadã portuguesa e assegurar os seus direitos, assim como dos restantes membros da caravana humanitária internacional".

"Vai intervir pela libertação da cidadã portuguesa e dos restantes ativistas da caravana humanitária e apelar à sua livre circulação até Gaza?", questiona.

O eurodeputado do PCP quer também saber que diligências estão a ser desenvolvidas, "no plano das relações internacionais, com vista ao fim do criminoso bloqueio imposto contra a população palestiniana na Faixa de Gaza, das violações do direito internacional por parte de Israel e à concretização do Estado da Palestina, como determinam há décadas as resoluções da ONU".

Noutra pergunta, igualmente dirigida ao Conselho da UE e à Comissão Europeia, João Oliveira aborda o caso da flotilha humanitária marítima Global Sumud, "atacada no dia 18 de maio por forças militares israelitas, a cerca de 463 quilómetros da Faixa de Gaza".

"Aquele ataque levou à detenção dos 430 membros da flotilha, incluindo cidadãos portugueses. Foram divulgadas imagens de militares a espancar, arrastar, empurrar e imobilizar ativistas, enquanto o ministro israelita Ben-Gvir lhes dirigia palavras de humilhação", refere João Oliveira.

O eurodeputado do PCP frisa que "alguns dos membros da flotilha relataram atos de violência e tortura física, psicológica e sexual", defendendo que o tratamento a que foram submetidos é "inaceitável, indigno e desumano" e insere-se "na sistemática violação do direito internacional por Israel".

"A UE tem obrigação de agir para pôr fim a esta barbárie. O silêncio ou a falta de denúncia e condenação desta situação são política e moralmente inaceitáveis", sustenta.

João Oliveira pergunta assim às duas instituições se vão condenar a atuação de Israel e que medidas tencionam tomar perante a situação em questão.

"Que medidas vão tomar para assegurar a urgente ajuda humanitária à população palestiniana na Faixa de Gaza?", pergunta ainda.

O eurodeputado do PCP quer ainda saber como é que as duas instituições justificam a manutenção do Acordo de Associação UE-Israel "face às violações dos direitos do povo palestiniano e aos crimes cometidos pelas autoridades israelitas".

Uma ativista portuguesa integra um grupo avançado de uma caravana humanitária que está retido pelas autoridades do leste da Líbia e incontactável desde domingo, alertou esta segunda-feira o movimento Global Sumud Land, que pretende levar ajuda a Gaza por terra.

Além da ativista portuguesa, integram o grupo avançado uma outra espanhola, uma polaca, uma norte-americana, dois argentinos, um uruguaio, um tunisino e dois italianos, parte dos mais de 350 cidadãos - entre médicos, professores, engenheiros e jornalistas - de 30 países que saíram há cerca de um mês da Mauritânia.