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Pam Bondi sobre os arquivos de Epstein: "Pelo que sei, o departamento divulgou tudo o que era exigido"

Ex-procuradora-geral dos EUA, responsável pela divulgação dos documentos de Epstein, foi ouvida perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes. Durante o seu depoimento, recusou-se a mencionar o nome de Trump e defendeu que foram divulgados todos os documentos sobre o criminoso sexual.

A ex-procuradora geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, garantiu na sexta-feira, perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, que divulgou todos os arquivos sobre Jeffrey Epstein que eram exigidos pela Lei da Transparência, mas descartou a ideia de que foi ela quem liderou todos os aspetos do processo - isto porque alguns nomes das vítimas do criminoso sexual foram expostos nesses mesmos ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça.

Ex-procuradora-geral Pam Bondi à chegada para prestar depoimento perante o Comité de Supervisão
Ex-procuradora-geral Pam Bondi à chegada para prestar depoimento perante o Comité de Supervisão Foto AP/Manuel Ceneta

"Demonstrámos um compromisso sem precedentes com a transparência na procura, recolha e revisão dos arquivos de Epstein pelo departamento, produzindo quase três milhões de páginas de material", disse nas suas observações iniciais. "Tenho orgulho do departamento e do seu compromisso com a transparência sob a minha liderança. Este foi um processo extremamente complexo e trabalhoso e pelo que sei, o departamento divulgou tudo o que era exigido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein."

Já depois da audiência, que ocorreu às portas fechadas, os democratas acusaram Bondi de transferir a responsabilidade dos erros para o agora procurador-geral interino, Todd Blanche, mas a procuradora demissionária rejeitou tais alegações. "Não é verdade", escreveu nas redes sociais já depois da audiência. "Elogiei a gestão do procurador-geral Interino Blanche nessa tarefa hercúlea. Afirmei que a sua ética é irrepreensível e que ele é um procurador-geral incrível."

Maria Farmer, uma das sobreviventes de Trump, criticou no entanto a postura de Bondi, que não assumiu as responsabilidades, e acusou-a de desrespeitar as vítimas. "Em todas as ocasiões, Bondi ignorou e desrespeitou a vontade das vítimas de Epstein que esperaram por justiça durante décadas e, mesmo agora, como cidadã comum, recusa-se a assumir a responsabilidade pelos seus erros e fracassos", afirmou num comunicado citado pela .

Durante a audiência foi ainda mencionado o nome de Donald Trump, mas sobre o presidente norte-americano Bondi disse que não responderia a qualquer questão. "Ela disse que não falaria nem responderia a nenhuma pergunta relacionada com o presidente Trump", avançou Robert Garcia, o principal democrata do comité.

Pam Bondi foi convocada em março pelo painel para prestar depoimento sobre o caso Epstein, mas em abril acabou destituída do cargo por Donald Trump e substituída por Todd Blanche, ex-advogado de Trump. Bondi, que recentemente foi diagnosticada com cancro na tiroide, na altura disse estar entusiasmada por trabalhar no setor privado.

Enquanto procuradora-geral, Bondi ficou encarregada de implementar a Lei da Transparência dos Arquivos Epstein, mas acabou amplamente criticada por ter retido alguns arquivos - alguns deles que até mencionariam Trump - e por ter tornado o nome das vítimas público. 

O presidente republicano do Comité, James Comer, entretanto já esclareceu que vai ser investigada uma "possível má gestão" da investigação e o cumprimento da lei. Antes da audiência de Bondi, disse ainda que os sucessivos governos falharam com as vítimas de Epstein e que a ex-procuradora-geral será pressionada sobre a sua atuação na divulgação dos documentos.

"Vamos tentar determinar se é possível entregar mais documentos legalmente", disse Comer. "Quero todos os documentos. Não quero que nada seja retido e acho que a maioria da comissão pensa da mesma forma."

O comité entretanto já ouviu o ex-presidente dos Estados Unidos, , e a ex-primeira-dama, , assim como o atual secretário de Comércio Howard Lutnick e a ex-namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell.

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