Justiça francesa quer apurar potenciais crimes ligados ao pedófilo norte-americano que possam envolver criminosos sexuais do país.
França abriu uma investigação sobre tráfico humano ligada ao caso Jeffrey Epstein e está agora a apurar possíveis crimes cometidos no país por criminosos sexuais franceses que tenham facilitado os delitos do pedófilo norte-americano.
Documentos de Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de JustiçaFoto AP/Jon Elswick
Segundo a procuradora-geral de Paris, Laure Beccuau, só desde fevereiro - quando incentivou a denúncia dos casos - já cerca de 20 supostas vítimas reportaram episódios envolvendo o criminoso sexual. Algumas delas já eram, no entanto, conhecidas dos investigadores, reportou em entrevista à emissora RTL.
"Mas também surgiram novas vítimas, pessoas que não conhecíamos. São cerca de 10", acrescentou. "A escolha que fizemos, por enquanto, é ouvir essas vítimas."
Algumas estão, no entanto, a viver no estrangeiro. "Os investigadores estão a agendar reuniões que se adaptem à disponibilidade delas para virem a Paris", avançou.
Entre as possíveis vítimas já conhecidas dos investigadores estarão mulheres que prestaram depoimento durante as investigações sobre o antigo chefe da agência de modelos Gerald Marie e o falecido agente de modelos Jean-Luc Brunel, segundo informou a Associated Press.
As autoridades chegaram a prender Brunel, em 2020, após alegações de que teria abusado sexualmente de menores e transportado algumas das vítimas até Epstein. O agente de modelos acabou por ser encontrado morto na prisão, em 2022.
Já nas décadas de 1990 e 2000 duas ex-modelos disseram também à Associated Press que o agente Daniel Siad as aliciou com o objetivo de as entregar a Epstein.
Em março, quinze mulheres instaram o país a investigar a agência Gerald Marie por possíveis ligações com Epstein, mas entretanto "nenhuma das pessoas que poderiam estar potencialmente envolvidas foi interrogada até o momento", segundo Beccuau.
Além das entrevistas às vítimas, os investigadores estão também a procurar novas pistas nos arquivos de Epstein - divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos - bem como a tentar descobrir eventuais nomes de vítimas que possam ter sido mencionadas nos mesmos.
As autoridades francesas já disseram ter também revistado o luxuoso apartamento de Epstein em Paris. Fizeram-no, aliás, em setembro de 2019 - mais de um mês depois de ele ter sido encontrado enforcado na prisão de Nova Iorque.
"Também recuperámos o computador do senhor Epstein, os seus registos telefónicos e a sua agenda de contactos", revelou a procuradora, ao acrescentar que a sua equipa irá fazer "pedidos de assistência internacional".
Epstein declarou-se culpado em 2008 de ter aliciado uma menor de 18 anos para a prostituição e por esse crime cumpriu 13 meses de prisão. Depois, foi libertado. Acabou por regressar à prisão mais tarde, onde acabou por morrer em 2019.
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