ONU reúne-se de emergência por causa de ataques a petroleiros

Carolina R. Rodrigues , Lusa 13 de junho de 2019
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Um petroleiro japonês e outro norueguês foram vítimas de um ataque no golfo de Omã. As tripulações foram resgatadas sem ferimentos graves.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se nesta quinta-feira de emergência depois de dois petroleiros terem sido atacados no golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já condenou os ataques numa reunião do Conselho de Segurança sobre cooperação entre as Nações Unidas e a Liga Árabe, afirmando que acompanha "profunda preocupação" o incidente e lembrou que "o mundo não pode permitir-se a um confronto de grande escala no Golfo Pérsico".

As autoridades iranianas reagiram com desconfiança à informação divulgada pela Marinha dos EUA, por considerarem conveniente os ataques terem sido perpetrados precisamente quando primeiro-ministro japonês está em Teerão para tentar mediar a relação tensa entre aquele país e Washington.

"A palavra suspeita não é suficiente para descrever os acontecimentos contra os dois petroleiros - um deles japonês - que ocorreram enquanto o primeiro-ministro [japonês] se reunia" com o guia supremo iraniano em Teerão, escreveu Mohammad Javad Zarif, ministro do Irão.

Por sua vez, o guia supremo ayatollah Ali Khamanei garantiu que se o Irão quisesse procurar armas nucleares  "os Estados Unidos nada poderiam fazer" para os deter, embora garanta que não é essa a intenção do país.

<blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="en" dir="ltr">Reported attacks on Japan-related tankers occurred while PM <a href="https://twitter.com/AbeShinzo?ref_src=twsrc%5Etfw">@AbeShinzo</a> was meeting with Ayatollah <a href="https://twitter.com/khamenei_ir?ref_src=twsrc%5Etfw">@khamenei_ir</a> for extensive and friendly talks. <br><br>Suspicious doesn&#39;t begin to describe what likely transpired this morning. <br><br>Iran&#39;s proposed Regional Dialogue Forum is imperative.</p>&mdash; Javad Zarif (@JZarif) <a href="https://twitter.com/JZarif/status/1139108730996477952?ref_src=twsrc%5Etfw">13 de junho de 2019</a></blockquote>
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EUA prestam assistência a dois petroleiros no golfo de Omã que terão sido atacados
Dois petroleiros terão sido atacados no golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz, segundo a Marinha dos Estados Unidos da América (EUA), estando pelo menos um deles em chamas.

De acordo com as agências internacionais de notícias, a Marinha dos Estados Unidos afirma que está a prestar assistência a petroleiros que terão sido "atacados".

"Fomos informados de um ataque contra petroleiros no golfo de Omã. As forças navais norte-americanas na região receberam duas chamas de socorro distintas", afirmou em comunicado o comandante Josh Frei, porta-voz da 5.ª Frota da Marinha, responsável por zelar pelos interesses dos Estados Unidos nas águas da região.

Uma empresa de inteligência marítima identificou, de modo preliminar, uma das embarcações como sendo o "MT Front Altair", um petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall.

O navio está "em chamas e à deriva", acrescentou a empresa Dyrad Global, citada pela Associated Press, mas sem indicar a causa do incidente ou mencionar um segundo petroleiro.

O site da televisão estatal iraniana, citando um canal de notícias libanês pró-Irão, disse que dois petroleiros foram alvejados no golfo de Omã, mas sem mostrar evidências de um ataque.

Segundo a Associated Press, a empresa que opera um dos dois petroleiros afirma que uma explosão causou um incêndio a bordo. Outra empresa de navegação identificou o segundo navio atingido e disse que 21 marinheiros foram retirados da embarcação, com um deles a apresentar ferimentos ligeiros.

O caso ocorre quando o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está de visita ao Irão, numa altura em que Teerão e Washington assistem a uma escalada de tensão política e militar, tornando o tema um dos pontos centrais das conversas que tem desenvolvido com Hassan Rohani.

A visita de Abe é a primeira de um chefe de Governo japonês desde a revolução islâmica de 1979 e a primeira de um líder de um país do G7 desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se retirou do acordo nuclear.

O Japão é um importante aliado dos Estados Unidos da América e tem um histórico de relações comerciais com o Irão muito profundo, o que torna este país um potencial mediador do conflito entre aqueles dois países.

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