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Negociações entre EUA e Irão 'fecham' capital do Paquistão e habitantes falam em "confinamento sem vírus"

Apesar da incerteza do regresso das conversações de paz entre os EUA e o Irão, mediadas pelo Paquistão, a capital Islamabade, continua a apostar na segurança da cidade, criando uma espécie de cerco que afeta quem lá habita.

A capital paquistanesa Islamabade está atualmente sob uma espécie de confinamento que relembra a muitos os tempos da covid-19. As ruas estão vazias, as lojas foram encerradas e o transporte público suspenso. Os trabalhadores com a possibilidade de ficar em casa remotamente assim o fazem, enquanto funcionários de estabelecimentos como supermercados, bares e restaurantes ficaram desempregados. 

Islamabade está num cerco de segurança devido às negociações entre os EUA e o Irão
Islamabade está num cerco de segurança devido às negociações entre os EUA e o Irão AP

Segundo relatos do jornal espanhol e da publicação britânica as únicas pessoas presentes na capital são militares e agentes da polícia. Tudo isto para garantir a segurança das delegações que lá aterram para as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, mediadas pelo Paquistão, para colocar um fim à guerra. Contudo, ainda não se chegou a um consenso, apenas um cessar-fogo de duas semanas que foi prolongado por tempo indefinido. 

O cenário lembra, de certa forma, os meses mais críticos dos confinamentos durante a pandemia, entre 2020 e 2021. Ao jornal espanhol um diplomata paquistanês afirma ser “um confinamento sem vírus”. “O meu país está a fazer tudo possível no seu papel de mediador para voltar a sentar os dois protagonistas à mesa, para que cheguem a um acordo de paz e tudo volte à normalidade”, afirma, fazendo referência à possibilidade de uma segunda ronda de conversações.

No centro da cidade, em torno do hotel de cinco estrelas Serena, onde decorreram as primeiras negociações a 11 de abril, o perímetro continua selado com barricadas, acesso limitado e veículos blindados. 

Contudo, à medida que a incerteza aumenta sobre a possibilidade das conversações retomarem, a indignação popular cresce também. Para a população, as restrições indefinidas tornaram-se uma fonte de frustração. Muitos trabalhadores em Islamabade e na cidade vizinha Rawalpindi, que não conseguiam pagar o aluguer de um apartamento, foram expulsos dos seus alojamentos e dezenas de milhares tiveram de procurar rapidamente um sítio para ficar. 

Ao The Guardian muitos resistentes da cidade, que abriga cerca de um milhão e meio de habitantes, queixam-se de que este confinamento está a agravar o impacto económico da guerra nos cidadãos comuns. Desde que os EUA e Israel começaram a bombardear o Irão no final de fevereiro, e Teerão retaliou ao encerrar o Estreito de Ormuz, o Paquistão tem sido um dos países mais afetados pela crise energética. Foram impostos cortes de eletricidade de até sete horas devido à escassez de combustível, enquanto restaurantes tiveram de encerrar por falta de gás para cozinhar. 

Os estabelecimentos locais que ainda se mantinham abertos foram obrigados a fechar portas devido ao cerco, enquanto os taxistas registaram uma queda de 50% nos  rendimentos. O El Mundo refere ainda que os vendedores ambulantes que normalmente preenchem a cidade, desapareceram. 

Mediador entre os EUA e o Irão

O Paquistão tem-se afirmado como o único ator capaz de mediar as negociações de paz entre Washington e Teerão, tendo uma relação próxima aos EUA e laços à República Islâmica. Contudo, não tem sido um papel fácil. 

Na segunda-feira passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou numa entrevista que o vice-presidente JD Vance estava a caminho do Paquistão. No entanto, horas depois a Casa Branca recuou, dizendo que Vance ainda estava em Washington e vários meios noticiaram que as negociações não iriam começar antes de quarta-feira, o dia em que terminava o cessar-fogo de duas semanas.

Donald Trump acabou por prolongar o cessar-fogo por tempo indefinido e disse ser “possível” retomar as negociações. De Teerão as mensagens também têm sido ambíguas mas os oficiais iranianos garantem que as conversações se mantêm em cima da mesa. 

Assim, a capital paquistanesa continua a viver na incerteza, sem saber quando será possível retomar as negociações de paz, mas sem retirar as tropas e o cerco de segurança da cidade, limitando a vida de quem lá habita. 

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