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Mulher recrutada na África do Sul diz que foi repetidamente violada por Epstein: "Não havia como escapar"

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Queria ser modelo mas acabou retida, sem o passaporte, na ilha privada do norte-americano.

Juliette Bryant, hoje com 43 anos, contou à Sky News que foi recrutada na Cidade do Cabo, na África do Sul, por Jeffrey Espstein  e que foi repetidamente violada pelo pedófilo norte-americano na sua ilha no Caribe.

A ilha de Epstein, no mar do Caribe
A ilha de Epstein, no mar do Caribe AP

Na altura com 20 anos, Juliette lembra que aspirava ser modelo e acreditava que os seus sonhos estavam a tornar-se realidade quando foi recrutada por um grupo de mulheres. Foi levada para Nova Iorque, embarcando depois num voo particular, onde foi convidada a sentar-se ao lado de Epstein.  

"Assim que o avião descolou ele começou a tocar-me à força entre as pernas e eu simplesmente entrei em pânico. De repente percebi, 'meu Deus, a minha família não vai voltar a ver-me, estas pessoas podem matar-me'", contou a mulher à televisão britânica. "De repente, percebi que precisava de ser amigável, porque dei-me conta de que estava a correr um grande perigo."

Juliette recorda que as mulheres que a recrutaram riam-se enquanto ela era agredida sexualmente durante o voo. “Fiquei realmente apavorada. Toda a experiência me transformou.”

Depois de chegar à ilha de Epstein, de helicóptero, foi-lhe retirado o passaporte. "Não havia como escapar. Não tinha forças para nadar. Não conseguiria nadar para sair de lá.”

A mulher explica ainda que não foi traficada para outros homens, mas que foi repetidamente violada por Epstein. "Via-o às refeições e depois era chamada ao seu quarto. Fora isso, eu não o via muito, ele estava sempre a trabalhar." 

Mesmo depois de ser enviada de volta para a Cidade do Cabo, Juliette admite que embarcou em mais voos para as propriedades de Epstein em Nova Iorque, Palm Beach, Paris e Novo México, onde afirma ter conhecido mulheres e jovens menores de idade do Brasil, da Roménia, de França e de Espanha. Diz que o magnata a dominava. "Não tenho nada a esconder. Obviamente, isto tem sido perturbador porque confunde as pessoas, já que é evidente que aquele homem tinha um controlo terrível sobre a minha mente."

Epstein, que se declarou culpado de aliciar uma pessoa menor de 18 anos para prostituição em 2008, morreu em Nova Iorque em 2019, antes de seu julgamento.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tem vindo a divulgar milhões de ficheiros relacionados com a sua rede de pedofilia, a envolver várias figuras conhecidas.

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