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Milhares protestam na África do Sul contra imigração ilegal

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Mais de 25.000 cidadãos de vários países africanos - Maláui, Zimbabué, Moçambique, Nigéria, Gana, entre outros - fugiram nas últimas semanas, sobretudo em autocarros fretados pelos seus países ou pela África do Sul.

Milhares de manifestantes protestaram esta terça-feira em várias zonas da África do Sul contra a imigração ilegal, um novo episódio da vaga xenófoba que já levou ao repatriamento de 25.000 imigrantes, dos quais 738 moçambicanos.

Movimento xenófobo já causou 11 mortos
Movimento xenófobo já causou 11 mortos STRINGER/AP

Os manifestantes anti-imigração na África do Sul, nação vizinha de Moçambique, deram até esta terça-feira para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.

A Polícia sul-africana, temendo excessos, mobilizou-se em força por todo o país e, até ao momento, foi registado um número limitado de incidentes.

Vários ajuntamentos também deram origem a cenas de forte tensão: em Germiston, perto de Joanesburgo, manifestantes tentaram invadir um recinto para expulsar estrangeiros, obrigando a Polícia a intervir.

O dia ficou marcado por uma atividade reduzida nos grandes centros urbanos, onde muitas lojas permaneceram fechadas e o trânsito esteve muito condicionado.

Na manifestação em Durban, foram exibidos cartazes onde se podia ler: "Parem de esconder os estrangeiros ilegais. Parem de os empregar e de lhes arrendar casa".

"Tenho dificuldades em arrendar casa porque as rendas são muito altas, e os estrangeiros em situação irregular conseguem pagá-las porque vendem droga à nossa população", acusou Brightness Gumbi, de 48 anos, que gere uma pequena cantina num bairro de lata e participava na marcha.

A África do Sul já viveu episódios violentos de cariz xenófobo, nomeadamente em 2008 e 2015, mas, de forma inédita, mais de 25.000 cidadãos de vários países africanos - Maláui, Zimbabué, Moçambique, Nigéria, Gana, entre outros - fugiram nas últimas semanas, sobretudo em autocarros fretados pelos seus países ou pela África do Sul.

O movimento atual resultou em episódios de violência esporádica que causaram pelo menos 11 mortos - nove moçambicanos, um etíope e um malauiano - e em algumas cenas de saques a lojas geridas por estrangeiros.

Discursando em Durban, uma das figuras do movimento e líder do grupo "March and March", Jacinta Ngobese-Zuma, prometeu organizar novas manifestações todas as quintas-feiras.

"Nos próximos seis meses, queremos que o Governo se livre das pessoas que não se foram embora", lançou.

Cerca de três milhões de estrangeiros, ou seja, 5,1% de população, vivem no país do antigo Presidente Nelson Mandela, segundo as estatísticas oficiais, atraídos por perspetivas de emprego na maior economia do continente.

Esta nova vaga antimigrantes insere-se também no contexto eleitoral das autárquicas de 04 de novembro, que continuam a ser fortemente disputadas.

"Há partidos políticos a fazer demagogia (...). Desfilam apresentando-se como anti-imigração", explicou à agência France-Presse (AFP) o politólogo Sandile Swana, citando, entre outros, os partidos MK do ex-Presidente Jacob Zuma e o Action SA.

Por outro lado, as organizações anti-imigrantes culpam os imigrantes dos muitos males que assolam uma grande parte da população, como o desemprego em massa, acima dos 32%, a criminalidade galopante, o tráfico de droga e os serviços de saúde sobrecarregados.

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