Guerra de palavras entre o chanceler alemão e presidente dos Estados Unidos sobe de tom.
O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, ordenou a retirada de cerca de 5 mil soldados da Alemanha no espaço de um ano, anunciou o Pentágono. A retirada representa cerca de 15% das forças norte-americanas estacionadas no país europeu.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, e Donald TrumpAP
"Esperamos que a retirada esteja concluída nos próximos seis a doze meses", disse o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em comunicado. Aproximadamente 35 mil soldados americanos estão atualmente estacionados na Alemanha.
A decisão surge no meio de uma troca de palavras de Trump com o chanceler alemão, Friedrich Merz, em que o presidente dos Estados Unidos tem vindo a acusar a NATO de não cooperar na guerra contra o Irão. Admitiu já a possibilidade de alargar a retirada de tropas norte-americanas a outros países, como Espanha ou Itália.
Trump chegou a dizer nas redes sociais que Merz estava a fazer um "um trabalho péssimo" na Alemanha e que tinha "problemas de todos os tipos", incluindo com a imigração e energia.
No início da semana o chanceler alemão disse a estudantes universitários que "os norte-americanos claramente não têm estratégia" e que não conseguia ver "que saída" que poderiam escolher nesta guerra. "Os iranianos são obviamente muito hábeis a negociar, ou melhor, muito hábeis a não negociar, deixando os americanos viajarem para Islamabad e depois partirem sem qualquer resultado". E ainda acrescentou que "toda a nação" [norte-americana] estava a ser "humilhada" pela liderança iraniana.
Trump ouviu, não gostou e acusou Merz de não saber o que estava a dizer, pois aparentemente achava normal o Irão "ter uma arma nuclear". "Não admira que a Alemanha esteja tão mal..."
O destacamento militar dos EUA na Alemanha é de longe o maior na Europa, com cerca de 12 mil soldados em Itália e outros 10 mil no Reino Unido. Muitos estão estacionados na Base Aérea de Ramstein, nos arredores da cidade de Kaiserslautern, no sudoeste da Alemanha.
E que fará Trump relativamente a estas tropas estacionadas em Espanha e Itália? "Provavelmente vou considerar [a retirada]. Por que não deveria? Itália não nos ajudou em nada e Espanha foi horrível. Em todos os casos, disseram: 'não quero me envolver.'"
Alemanha responde
Entretanto, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, considerou que esta decisão dos Estados Unidos era "previsível", face à falta de entendimento entre o governo de Trump e a Europa sobre a guerra contra o Irão.
"Era previsível que os EUA retirassem tropas da Europa, incluindo da Alemanha", considerou Pistorius, acrescentando que os europeus devem assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança.
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