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Médio Oriente: UE deverá aprovar hoje sanções contra colonos na Cisjordânia

As sanções estavam a ser unicamente bloqueadas pelo Governo da Hungria de Viktor Orbán, que foi derrotado nas eleições legislativas de 12 de abril. Este sábado, o novo executivo húngaro, liderado por Péter Magyar, tomou posse, sendo expectável que levante o veto.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) anunciou esta segunda-feira que os ministros dos Negócios Estrangeiros deverão aprovar sanções contra colonos violentos na Cisjordânia, mas descartou que cheguem a consenso para limitar as trocas comerciais.

Colonos israelitas na Cisjordânia
Colonos israelitas na Cisjordânia AP

“Espero um acordo político sobre as sanções contra os colonos violentos. (…) As sanções têm estado em cima da mesa já há algum tempo e espero que hoje possamos, de facto, avançar”, afirmou Kaja Kallas, em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas.

As sanções estavam a ser unicamente bloqueadas pelo Governo da Hungria de Viktor Orbán, que foi derrotado nas eleições legislativas de 12 de abril. Este sábado, o novo executivo húngaro, liderado por Péter Magyar, tomou posse, sendo expectável que levante o veto.

No entanto, esta deverá ser a única medida que será hoje adotada no que se refere à situação na Cisjordânia, uma vez que, segundo indicou Kaja Kallas, ainda não há o consenso necessário entre Estados-membros para banir totalmente ou impor tarifas sobre o comércio com os colonatos na região, conforme foi proposto pela França e a Suécia.

“Testámos isso na sexta-feira com os embaixadores e verificámos que não temos a maioria necessária para aprovar essas medidas. Portanto, vamos discutir a proposta francesa e sueca no que se refere ao comércio com os colonatos, mas isso também necessitaria uma proposta da Comissão Europeia, que ainda não existe”, referiu a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Além da situação na Cisjordânia, a chefe da diplomacia da UE referiu também que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão discutir a situação no Irão e, em particular, decidir se mudam o mandato da operação naval Aspides.

Atualmente a operar no Mar Vermelho, onde escolta navios mercantes, Kaja Kallas indicou que os governantes vão discutir se há “vontade de mudar os planos operacionais para que possam contribuir para a desminar e acompanhar navios” no estreito de Ormuz.

O assunto já tinha sido discutido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros em março, mas, na altura, tinham recusado mudar o mandato da operação, mantendo-a no Mar Vermelho.

Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas foi ainda questionada sobre o facto de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter considerado, no domingo à noite, que a resposta do Irão ao plano de paz é “completamente inaceitável”.

A Alta Representante referiu que a UE continua a apoiar a “solução diplomática” e tem procurado dialogar com o Paquistão, que está a mediar as discussões entre o Irão e os Estados Unidos, e com os países do Golfo Pérsico.

“Mesmo que haja um cessar-fogo, existem conversas a longo prazo sobre as ameaças que o Irão representa para a região. Isto não se limita à questão nuclear – onde, aliás, oferecemos as nossas competências, dado que temos especialistas que negociaram acordos nucleares anteriormente -, mas também de outras ameaças que o Irão coloca à sua vizinhança”, referiu, dando o exemplo dos movimentos regionais que Teerão apoia, o programa iraniano de mísseis balísticos ou as atividades híbridas do regime na Europa.

Kallas referiu, contudo, que, neste momento, a prioridade é “parar a guerra e abrir o estreito de Ormuz”.

“Quanto a isso, os norte-americanos e o Irão estão a negociar entre si. Nós podemos apenas apoiá-los, não podemos chegar a acordo em nome deles”, observou.

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