O aumento de violência sexual e assédio por parte de colonos e soldados israelitas na Cisjordânia ocupada, nomeadamente com raparigas, é um fator decisivo para o abandono da região por parte de famílias palestinianas.
Colonos e soldados israelitas estão a utilizar violência de género, agressão sexual e assédio para forçar palestinianos a abandonar as suas casas na Cisjordânia ocupada.
Soldados israelitas durante uma operação no campo de refugiados Balata na Cisjordânia ocupadaAP
Um novo estudo da organização humanitária Norwegian Refugee Council (NRC) intitulado “Violência sexual e deslocação forçada na Cisjordânia”, refere que mulheres, homens e crianças palestinianos relatam ataques, nudez forçada, revistas íntimas, invasoras e dolorosas, exposição dos genitais a menores e ameaças de violência sexual.
“A violência sexual é utilizada para pressionar comunidades, influenciar as decisões sobre a permanência ou a saída das suas casas e terras e alterar os padrões de vida quotidiana”, afirma a NRC. Outras formas de violência incluem urinar sobre palestinianos, tirar e distribuir imagens de pessoas amarradas e despidas, perseguir mulheres que utilizam latrinas e ameaçar mulheres com violência sexual.
Assim, o estudo conclui que os ataques de natureza sexual aceleram a deslocação de palestinianos. Mais de dois terços das famílias inquiridas identificaram o aumento da violência contra mulheres e crianças, incluindo assédio sexual contra raparigas, como um fator decisivo para abandonar a região.
“Os participantes descreveram o assédio sexual como o momento em que o medo passou do crónico a insuportável. Falavam sobre ver mulheres e raparigas a sofrer humilhação e sobre calcular o que poderia acontecer a seguir”, pode ler-se no relatório.
Num dos casos exemplificados, uma mulher terá sido submetida a uma dolorosa revista interna por duas soldadas que entraram na sua casa com colonos israelitas e lhe ordenaram que tirasse a roupa para uma revista completa. “Ela descreveu ter recebido instruções para abrir as pernas de uma forma que lhe causava dor, bem como receber comentários depreciativos e toques nas suas zonas íntimas”, descreve o relatório.
Contudo, não são apenas as mulheres que são alvo de agressão sexual. Segundo o jornal britânico The Guardian, no mês passado colonos israelitas despiram Qusai Abu al-Kebash, de 29 anos, colocaram-lhe uma abraçadeira nos genitais e espancaram-no à frente da sua comunidade. Em outubro de 2023 colonos e soldados israelitas despiram, algemaram e espancaram palestinianos, urinaram sobre eles, tentaram violar um deles com um cabo de vassoura e tiraram-lhes fotografias nus, que depois divulgaram publicamente.
Esta violência e assédio sexual levou ainda a que raparigas abandonassem a escola, de forma a limitar a hipótese de entrarem em contacto com soldados e colonos israelitas. Também resultou num aumento de casamentos infantis, de forma a proteger as jovens e afastá-las desta ameaça. Pelo menos seis famílias entrevistadas para o relatório organizaram casamentos para raparigas entre os 15 e os 17 anos.
O relatório da NRC baseou-se em 83 entrevistas com comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada, incluindo comunidades que enfrentam violência por parte dos colonos israelitas, não representando uma amostra estatisticamente representativa da Cisjordânia. Os participantes incluíram pessoas em risco ou já forçadas a fugir das suas casas, mulheres, jovens ativistas e líderes comunitários.
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