Os ministros dos Negócios Estrangeiros vão decidir se cortam todas as relações comerciais com os colonatos israelitas na Cisjordânia, uma medida que precisa de ser aprovada por unanimidade.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se esta segunda-feira no Luxemburgo para discutir se proíbem todas as relações comerciais com colonatos israelitas na Cisjordânia e decidir novas sanções contra a Rússia.
Israel aprova novos colonatos na CisjordâniaAP Photo/Ohad Zwigenberg, File
A reunião vai começar às 09h45 (08h45 de Lisboa) no Luxemburgo e terá três pontos na agenda: a guerra na Ucrânia, a situação no Médio Oriente e as relações com a China.
O Governo português estará representado na reunião pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
No que se refere ao Médio Oriente, os ministros dos Negócios Estrangeiros vão decidir se cortam todas as relações comerciais com os colonatos israelitas na Cisjordânia, uma medida que, para poder ser adotada, precisa de ser aprovada por unanimidade.
Esta medida tinha sido pedida por alguns Estados-membros durante a reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros de abril, mas ainda não tinha sido formalmente discutida pelos ministros porque a Comissão Europeia ainda não tinha apresentado qualquer proposta, o que fará hoje.
"A ideia é que, tendo em conta que os colonatos são ilegais de acordo com o direito internacional, qualquer comércio com eles também deve ser. É esse o princípio subjacente", explicou um alto responsável europeu, que referiu que a proposta em cima da mesa visa proibir todas as trocas comerciais com os colonatos israelitas.
Além desta discussão sobre Israel e a Palestina, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE vão também abordar a guerra no Líbano e a "situação muito volátil" no Irão.
Relativamente à guerra na Ucrânia, os governantes irão ter uma primeira troca de impressões sobre o 21.º pacote de sanções à Rússia apresentado pela Comissão Europeia na semana passada, apesar de não ser expectável qualquer decisão formal quanto ao pacote.
"Não posso prever nada, mas estamos a trabalhar com o objetivo de termos o 21.º pacote de sanções aprovado antes das férias de verão", indicou uma fonte europeia.
Apesar de não se prever qualquer aprovação formal do 21.º pacote de sanções, os ministros deverão, contudo, aprovar novas sanções contra a Rússia, designadamente contra a sua frota fantasma.
"Já há quatro reuniões do Conselho de Negócios Estrangeiros que decidimos aplicar sanções contra a frota fantasma. É uma matéria que requer que nós ajamos de uma maneira muito mais rápida do que a dos pacotes [de sanções] ocasionais. Por isso, é expectável que haja novas sanções", referiu um alto responsável europeu.
Os ministros irão ainda abordar as relações com a China, numa altura em que a Comissão Europeia tem defendido que o défice comercial com o país é insustentável e está a preparar medidas para travar as exportações chinesas, o que levou Pequim a cancelar duas reuniões com a UE que tinha previsto este mês.
Sobre esta matéria, os ministros vão sobretudo focar-se nas relações de segurança e de Defesa com a China, designadamente a dependência da indústria de Defesa europeia em componentes chinesas.
Outro dos assuntos que será discutido prende-se com informações do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) de que "centenas de soldados russos" receberam treino militar em várias localizações da China e foram posteriormente mobilizados para a guerra na Ucrânia.
"É expectável que a Alta Representante [da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas], destaque, mais uma vez, a unidade da UE, que é fundamental para lidar com parceiros da dimensão da China", disse uma fonte europeia.
Antes do início formal da reunião, os ministros dos Negócios Estrangeiros vão ter um pequeno almoço de trabalho com o seu homólogo da Arménia, Ararat Mirzoyan, cerca de uma semana depois de o partido pró-europeu do atual primeiro-ministro, Nikol Pashinyan, ter ganho as eleições legislativas de 07 de junho.
Os ministros deverão discutir com Mirzoyan como é que a UE "pode apoiar mais a Arménia", sobretudo dado o contexto de "forte pressão económica que está a enfrentar da Rússia".
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.