Nas redes sociais, os vídeos de Georgia Fort sobre direitos de voto e liberdade de imprensa alcançam milhares de visualizações. O seu foco é contar histórias que os meios tradicionais não contam, especialmente sobre questões que afetam os cidadãos negros de Minnesota.
Agentes federais detiveram a jornalista independente norte-americana Georgia Fort enquanto ela cobria os protestos na Igreja de St. Paul contra a presença do ICE em Minnesota, em janeiro. Rapidamente defensores de liberdade de imprensa condenaram o ato, mas Fort acredita que vai além disso, ela acredita que está a ser silenciada.
Georgia Fort foi detida pela Administração Trump depois de cobrir um protesto contra o ICE em MinnesotaInstagram/Georgia Fort
Segundo o jornal norte-americano The Washington Post, Fort foi apenas uma entre cerca de 40 detidos no protesto na Igreja em que o pastor seria um alegado agente da agência de imigração norte-americana, ICE. Os procuradores acusaram a jornalista de violar leis federais que protegem locais de culto, devido ao que alegam ter sido interrupções ilegais de um serviço religioso.
Como muitos dos líderes comunitários de Minnesota também foram detidos durante o protesto, os advogados de Fort desaconselharam-na de falar com eles, pois poderia comprometer o seu caso. “São fontes”, declarou a jornalista numa entrevista na semana passada, enquanto visitava Washington para proferir um discurso na cerimónia de graduação da Universidade de Howard. “Proibir-me de falar com fontes, de falar com líderes comunitários importantes, limita a minha capacidade de fazer o meu trabalho”, afirmou.
Durante o discurso, Fort falou sobre a pressão que está a ser imposta no jornalismo contemporâneo, nomeadamente nos valores jornalísticos de objetividade e neutralidade, e dos jornalistas que sentem que não podem dar-se ao luxo de ser objetivos e neutros perante ameaças antidemocráticas. Também disse aos estudantes que cabe à geração deles responder a estas questões urgentes.
“Qual é a ética do jornalismo em relação à democracia? É trabalho dos jornalistas americanos serem objetivos e contarem os dois lados da história, entrevistar as pessoas que estão a desmontar a nossa democracia e depois entrevistar as pessoas que estão a tentar preservá-la? Ou é o nosso trabalho defendermos nós próprios a democracia?”, questionou.
Nas redes sociais, os vídeos de Georgia Fort sobre direitos de voto e liberdade de imprensa alcançam milhares de visualizações. O seu foco é contar histórias que os meios tradicionais não contam, especialmente sobre questões que afetam os cidadãos negros de Minnesota. “Durante o tempo em que trabalhei nos media tradicionais, houve muitas ideias de reportagens que foram rejeitadas em redações tradicionais e que eram realmente significativas e importantes”, disse. “Porque dei prioridade a contar essas histórias sem pedir desculpa, isso permitiu-me emergir como concorrente dentro do meu mercado”, acrescentou.
Inicialmente a sua detenção enfrentou vários contratempos. Um juiz magistrado federal recusou emitir mandados de captura para Fort e um tribunal federal de recurso também rejeitou as acusações. Os procuradores federais acabaram por conseguir uma acusação formal de um grande júri, e Fort foi presa na sua casa a 30 de janeiro por agentes federais, enquanto as suas três filhas dormiam.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.