Homem envolvido na morte de jornalista de Malta condenado a 15 anos de prisão

Homem envolvido na morte de jornalista de Malta condenado a 15 anos de prisão
Diogo Barreto 23 de fevereiro
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Vincent Muscat foi condenado a 15 anos de prisão por ter estado envolvido no homicídio de Daphne Caruana Galizia. Pena teve em conta contribuição para a investigação.

Um dos três suspeitos acusados no caso do homicídio da jornalista Daphne Caruana Galizia foi condenado esta terça-feira a uma pena de 15 anos de prisão por um tribunal de Malta.

Reuters
Vincent Muscat admitiu ter estado envolvido no assassínio da jornalista que investigava casos de corrupção no país ao tribunal. Ao anunciar o veredicto, o tribunal indicou ter tido em conta o facto de o suspeito ter colaborado com a polícia. Muscat tentou obter um perdão ou uma redução de pena em troca de informações sobre o caso da jornalista e de outros crimes graves, incluindo uma tentativa de roubo de uma filial do banco HSBC em 2010 na qual foi preso e acusado. 

Muscat propôs-se a um perdão presidencial que foi rejeitado no início do ano.

Há ainda dois homens acusados de terem participado no crime: os irmãos Alfred e George Degiorgio. Também estes dois suspeitos negam ter qualquer ligação ao homicídio da jornalista, como tinha feito até esta terça-feira Muscat.

Além de Muscat e dos irmãos Degiorgio, suspeitos de terem fabricado, colocado e feito explodir a bomba que matou a jornalista, um quarto homem ligado ao caso, Yorgen Fenech, proprietário da empresa 17 Black, foi detido em 2019 no seu iate ao largo de Malta, quando tentava fugir.

Feneche é suspeito de ser uma pessoa que tinha informações sobre o caso e a família de Daphne Caruana Galizia apresenta-o como um possível financiador do assassínio, mas as audiências sobre as acusações contra o empresário ainda não começaram.

A 16 de outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava a corrupção ao mais alto nível em Malta, morreu na explosão de uma bomba colocada no seu carro.

A jornalista investigava na altura políticos malteses, incluindo Joseph Muscat e a mulher, a partir de revelações dos "Papéis do Panamá", tendo nomeadamente escrito que o então ministro com a pasta da Energia, Konrad Mizzi, e o então chefe de gabinete do primeiro-ministro, Keith Schembri, teriam recebido cerca de dois milhões de euros de uma empresa do Dubai, a 17 Black, por serviços não precisados.

O grupo de investigação Daphne Project, que retomou as investigações da jornalista após a sua morte, descobriu que a 17 Black pertencia a Yorgen Fenech, tese corroborada pela justiça maltesa no âmbito de uma série de detenções por lavagem de dinheiro.

Em finais de novembro, os procuradores de Malta indiciaram Yorgen Fenech.

Fenech, que se declarou inocente, foi detido em novembro no Mediterrâneo a bordo do seu iate, quando aparentemente tentava abandonar Malta.

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