Guerra contra (e pela) droga ameaça o turismo

Guerra contra (e pela) droga ameaça o turismo
Bruno Faria Lopes 05 de novembro de 2017

Já nem as zonas turísticas escapam ao caos que engole o México e que matou 12 mil pessoas na primeira metade do ano.

Carlos Muñoz Portal, 37 anos, procurava locais para a filmagem da próxima temporada da série norte-americana Narcos, que depois de abordar dois grandes cartéis colombianos de droga sinalizou que se vai virar para o México. O corpo de Portal, 37 anos, foi encontrado com múltiplos ferimentos de balas numa estrada secundária não longe da Cidade do México. A notícia acabou por dar ainda mais visibilidade mundial à verdadeira guerra civil que se vive há anos naquele país e que já engole locais turísticos como Cancun e Acapulco, que se tornou a cidade mais perigosa do país.

Nos primeiros seis meses deste ano foram assassinadas 12 mil pessoas no México. Junho foi o pior mês em 20 anos, com 2.334 mortos, e o país caminha para o que será o ano mais sangrento na sua história recente – uma história que coloca o México abaixo apenas da Síria e do Iraque em número de mortos resultantes de conflitos internos. Na última década morreram mais de 176 mil pessoas por homicídio naquele país, segundo números do governo mexicano citados pela Al-Jazeera. As mortes não são todas explicadas pelo negócio da droga, mas este é sem dúvida o motor da onda de violência.

A taxa de homicídios no México já era relativamente alta, mas explodiu a partir de 2006 com a ofensiva militar contra os grandes cartéis decidida pelo ex-Presidente Felipe Calderón. As cisões entre lideranças de alguns cartéis e a eliminação dos líderes de outros – com destaque para o de Sinaloa, chefiado por Joaquín "El Chapo" Guzmán – deu origem a lutas entre cartéis e entre gangues pelo domínio do tráfico. Só em Acapulco, por exemplo, estima-se que operem mais de 20 destes gangues com nomes como Los Locos ou 221, segundo o The Washington Post. Os impérios que tinham a droga no centro das operações deram lugar a gangues que foram abrindo o leque de operações criminosas, incluindo rapto e extorsão dos comerciantes locais.

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