O presidente do Conselho Europeu diz estar a coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros.
"O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do direito internacional, seja onde for. E, claro, a começar no território dos Estados-membros da União Europeia", prometeu António Costa, numa curta conferência de imprensa após a assinatura do histórico acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
António CostaAP
"Por agora, estou a coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros da União Europeia sobre este tema", disse o ex-primeiro-ministro.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse este sábado que irá cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus, devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.
Enaltecendo o histórico acordo que hoje foi assinado entre os dois blocos, que reforça o multlateralismo e cujas negociações demoraram mais de 25 anos, António Costa disse que a União Europeia veio cá "não apenas para afirmar a criação da maior zona económica do mundo, mas também para enviar uma mensagem muito clara ao mundo".
"Hoje em dia, o que é necessário não é conflito, mas paz; o que é necessário não são conflitos entre países, mas cooperação. O que é fundamental é defender sempre o direito internacional, seja onde for", frisou.
"Se a Rússia invadir a Ucrânia, temos de nos levantar para defender a integridade territorial, a soberania e o direito internacional na Ucrânia", tal como acontece na Venezuela, disse, reforçando que se os países querem prosperidade têm "de abrir os mercados e não fechá-los"
"Temos de abrir os mercados e não fechá-los, temos de criar zonas de integração económica e não aumentar os direitos aduaneiros", sublinhou o presidente do Conselho Europeu.
As declarações de Costa surge quando questionado a responder sobre a publicação nas redes sociais de Trump que disse que a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, a França, a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos e a Finlândia enfrentarão a tarifa, que seria elevada para 25% a 01 de junho, se não for assinado um acordo para a "compra completa e total da Gronelândia" pelos Estados Unidos.
Entretanto, centenas de pessoas na capital da Gronelândia enfrentaram hoje temperaturas próximas de zero, chuva e ruas geladas para marchar em apoio da sua autogovernação, face às ameaças de uma tomada de poder pelos Estados Unidos.
Os groenlandeses agitavam as suas bandeiras nacionais vermelhas e brancas e ouviam canções tradicionais enquanto caminhavam pelo pequeno centro de Nuuk.
Alguns transportavam cartazes com mensagens como "Nós moldámos o nosso futuro", "A Gronelândia não está à venda" e "A Gronelândia já é grande". Foram acompanhados por milhares de outras pessoas em manifestações por todo o reino dinamarquês.
Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território semiautónomo da Dinamarca, membro da NATO, e disse no início desta semana que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos americanas seria inaceitável.
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