Jens-Frederik Nielsen fez história em 2025 depois de ter sido eleito o primeiro-ministro mais jovem da Gronelândia, liderando os Democratas. Conseguiu chegar a uma maioria no Parlamento unindo quatro dos cinco partidos.
“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser gronelandeses”. Foi através de uma declaração conjunta que os líderes partidários da Gronelândia (que tem cerca de 57 mil habitantes) expressaram o seu desejo de serem deixados em paz após Donald Trump ter insistido, mais uma vez, que queria comprar a ilha evocando ser uma questão de “segurança nacional” para os Estados Unidos.
Jens-Frederik Nielsen, primeiro-ministro de GronelândiaAP
Desde o início das ameaças de Trump que o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, tem respondido com firmeza, considerando os comentários do líder dos EUA sobre a anexação do território “inapropriados” e relembrando que a ilha não está, nem estará, à venda. Ele que fez história o ano passado depois de ter sido eleito o mais jovem líder do Governo com apenas 34 anos, liderando o partido dos Democratas. Conseguindo chegar a uma maioria no Parlamento unindo quatro dos cinco partidos, à exceção do partido Nalertaq, que defende uma maior colaboração com os Estados Unidos.
Nascido em 1991 em Nuuk, a capital da ilha, Nielsen é filho de pai dinamarquês e mãe gronelandesa. Formado em Ciências Sociais pela Universidade da Gronelândia, Nielsen tem estado envolvido na política desde o ensino secundário. Em 2020 foi eleito líder dos Democratas, cargo para o qual foi reeleito em 2024. Dois anos antes de chegar a primeiro-ministro, Nielsen conquistou a medalha de ouro individual nos Jogos das Ilhas em badminton, desporto que pratica há mais de 20 anos. Fez parte da seleção da Gronelândia desde 2009, tendo participado no Europeu de 2024, em singulares e pares.
Jens-Frederik Nielsen celebra no pódio o ouro conquistado nos Jogos das Ilhas, em 2023Facebook/Badminton Kalaallit Nunaat - Greenland Badminton Federation
Em 2020 foi nomeado ministro da Indústria e Minerais, experiência que pode vir a ser importante numa altura em que a Gronelândia pretende explorar a sua riqueza mineral, cobiçada por Trump, e que tem sido uma das bandeiras dos Democratas nos últimos anos.
Dito isto, a visão económica de Nielsen para a Gronelândia pode ser vista como ambiciosa. Ele pretende mudar o foco das discussões sobre o subsídio da ilha por parte da Dinamarca, para o desenvolvimento empresarial e a criação de uma economia auto sustentável, e uma distribuição de riqueza que permita aos habitantes da ilha viver de forma independente. Além disso, o seu foco é a cooperação entre o setor público e privado, de forma a “criar uma estrutura adequada para que os indivíduos e as empresas possam prosperar”.
Em resposta às ameaças norte-americanas para a anexação da Gronelândia, que têm vindo a intensificar-se desde que as forças norte-americanas invadiram a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro este mês, a Dinamarca, a Suécia, a França, Alemanha e Noruega vão começar a enviar militares para a ilha do Ártico, de forma a reforçar a presença militar e a cooperação entre países da NATO. Nos últimos dias, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, já tinha dado a entender que era necessário um reforço da presença aliada na ilha.
Esta quarta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, reuniram-se na Casa Branca com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, de forma a criar pontes entre os países.
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