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Eleições do Peru: Keiko Fujimori, que foi primeira-dama aos 19 anos, concorre à presidência pela quarta vez

É uma das candidatas à presidência do Peru e o seu primeiro papel na política caiu-lhe no colo aos 19 anos, após a separação dos pais.

Foi primeira-dama com apenas 19 anos, durante o mandato de Alberto Fujimori, seu pai, papel que assumiu após a mãe, Susana Higuchi, pedir o divórcio, na sequência de acusações de corrupção no seu governo, num caso em torno de donativos internacionais.

Keiko Fujimori é filha do antigo presidente Alberto Fujimori
Keiko Fujimori é filha do antigo presidente Alberto Fujimori AP Photo/Martin Mejia

Este episódio acabou por lançar a carreira política de Keiko Fujimori, que este domingo se candidata pela quarta vez à presidência, após as derrotas de 2011, 2016 e 2021. Desta vez, as sondagens colocam esta candidata de direita numa posição elegível, o que tem motivado alguns protestos por parte de opositores que acusam a candidata de representar uma continuidade das políticas autoritárias associadas ao passado do país.

Como oponente, tem Roberto Sánchez, candidato de esquerda, oriundo do partido Juntos por el Perú. No debate televisivo que os colocou frente-a-frente, a candidata conservadora Fujimori afirmou: “Precisamos de ordem. Ordem para viver, ordem para investir, ordem para trabalhar", numa alusão à instabilidade política do Peru. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes. Os escândalos de corrupção e o aumento da criminalidade têm agravado o descontentamento.

A herdeira do chamado "fujimorismo" está no meio desse furação. Tornou-se congressista em 2000, fundou o partido Fuerza Popular e passou 13 meses na prisão enquanto era investigada por corrupção por alegadamente ter recebido dinheiro da construtora Odebrecht para financiar as suas campanhas presidenciais. Uma acusação que a candidata tem negado repetidamente.

As suspeitas são reminiscentes da década em que o seu pai esteve no poder, entre 1990 e 2000. Apesar de ter resgatado o país de um colapso económico e de ter derrotado grupos considerados terroristas no país (num conflito interno que resultou em 60 mil mortos), o regime de Alberto Fujimori foi marcado por violações dos direitos humanos e corrupção, pelas quais viria a ser condenado. Um dos vários processos judiciais que enfrentou resultou numa pena de 25 anos de prisão em 2009 pelos crimes de homicídio qualificado e lesões corporais. O ex-presidente morreu em 2024, após lhe ter sido concedido um controverso indulto devido ao seu estado de saúde.

Apesar de vários grupos de cidadãos, estudantes e organizações de direitos humanos se terem manifestado na capital para rejeitar a candidatura de Keiko Fujimori, o voto anti-fujimorista pode não encontrar tanta expressão nas gerações nascidas após a saída do ex-presidente do poder em 2000.