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Da obsessão por dinheiro às idas secretas à montanha: as suspeitas que ligam filho à morte do dono da Mango

Jonathan Andic foi detido na terça-feira por suspeitas de envolvimento na morte do pai - o dono da Mango que morreu numa misteriosa queda de montanha. Autoridades têm várias provas que o incriminam.

Recuemos no tempo até dezembro de 2024. O fundador da Mango e o filho, Jonathan Andic, realizavam uma caminhada perto de Barcelona quando morreu ao cair de uma montanha em Montserrat. No depoimento que Jonathan prestou à polícia, a 14 de dezembro do mesmo ano, explicou que estava a caminhar cerca de um metro e meio à frente de Isak, quando o pai parou para tirar fotos com o telemóvel e caiu. Na altura, disse não ter assistido ao ocorrido, mas viu algumas pedras a rolar e um corpo a "rebolar entre os arbustos". O seu depoimento foi, no entanto, desmentido e Jonathan acabou por suspeitas de homicídio, sendo que no mesmo dia acabou libertado após pagar uma fiança de um milhão de euros.

Isak Andic (dono da Mango) e Jonathan Andic (filho)
Isak Andic (dono da Mango) e Jonathan Andic (filho) Getty Images

O depoimento que Jonathan prestou no dia 14 não correspondeu ao de dia 31 de dezembro do mesmo ano. No segundo, afirmou que o pai só utilizou o telemóvel no início da caminhada e foi exatamente isso que a investigação policial mostrou: Isak só gravou um vídeo e tirou uma fotografia logo no início da caminhada, e não no fim, como Jonathan havia relatado no primeiro depoimento. A mesma investigação mostrou ainda que Isak não voltou a utilizar novamente o telemóvel e que este foi encontrado no seu bolso quando caiu e não nas mãos ou perdido no mato, como havia sido sugerido.

"É improvável que, se estivessem a caminhar juntos, ele não o tenha visto cair", sublinha um documento da acusação, citado agora pelas autoridades espanholas, que reúne várias provas. As pegadas no local onde Isak, de 71 anos, caiu não correspondem, de acordo com o mesmo texto, a uma simples escorregadela.

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A esta contradição juntaram-se tantas outras pistas, como o facto de Jonathan ter apagado todo o conteúdo do seu telemóvel em março de 2025 ou de ter um "mau relacionamento" com o pai.

O mesmo documento refere que Jonathan soube em meados de 2024 que o pai pretendia "alterar o seu testamento" para criar uma fundação destinada a pessoas carenciadas. Na altura, Jonathan tinha uma "obsessão" por dinheiro e, por isso, o relacionamento entre ambos azedou por completo . Jonathan chegou a pedir a herança ao pai ainda vivo e Isak sentiu-se na obrigação de aceitar a proposta para "manter um relacionamento com o filho".

Na tentativa de se reconciliarem, o fundador da Mango aceitou o convite de Jonathan para fazerem uma caminhada por Montserrat, em Barcelona, de modo a que pudessem falar em particular. Foi nessa mesma caminhada que Isak acabou por morrer. O dono da Mango tinha um património líquido avaliado em 5,5 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros) à época da sua morte.

O documento destacou também outro facto curioso: o filho já tinha investigado três vezes o trilho que iria fazer na montanha com o pai, antes da sua morte.

Inicialmente, a polícia tratou a morte de Isak como um acidente e arquivou o caso no início de 2025, mas o processo acabou por ser reaberto em março daquele ano por suspeitas de que Jonathan do pai. O caso está agora a ser investigado como homicídio.

“A partir dos procedimentos de investigação realizados, conclui-se que existem indícios suficientes para considerar que a morte do senhor IA [Isak Andic] pode não ter sido acidental, com envolvimento ativo e premeditado do senhor JA [Jonathan Andic]”, considerou a juíza Raquel Nieto Galvan.

Jonathan Andic, de 45 anos, foi detido na terça-feira, 19 de maio, em casa. Saiu no mesmo dia depois de pagar uma fiança de um milhão de euros para evitar a prisão preventiva em Espanha. O filho do bilionário está agora proibido de sair do país e teve de entregar o passaporte. Tem, além disso, de comparecer semanalmente no tribunal.

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