Curdos iraquianos querem a independência. E agora?

Curdos iraquianos querem a independência. E agora?
Alexandre R. Malhado 27 de setembro de 2017

O presidente do governo regional do Curdistão, Massoud Barzani, anunciou a "vitória esmagadora do sim" no referendo. Contudo, Iraque e Turquia não reconhecem o referendo e ameaçam com manobras militares e discursos hostis. E agora?

Para milhões de curdos iraquianos, segunda-feira foi um dia histórico. Milhões puderam votar a sua própria independência, num polémico referendo promovido pelo governo regional do Curdistão, o corpo governativo que lidera as áreas curdas no norte do Iraque. Apesar das pressões vindas de Bagdad e da Turquia, que ameaçam encurralar a região, o presidente curdo, Massoud Barzani, anunciou esta terça-feira a "vitória esmagadora do sim". E agora?

Segundo David Pollock, do Washington Institute for Near East Policy, tudo depende da diplomacia entre os países envolvidos. O território geocultural do Curdistão estende-se pelo Iraque, Turquia, Síria e Irão, onde vivem fragmentos cerca de 37 milhões de curdos, e uma vitória do "sim" no referendo do Curdistão iraquiano pode desencadear um "efeito dominó" noutros países. Tanto na Turquia como no Iraque, onde a região autónoma curda representa 20% do território iraquiano, uma independência curda seria uma grande perda territorial.

"Terá que haver diplomacia. Os países têm de saber lidar com este referendo de forma pragmática. Tal como um oficial curdo me dizia esta semana em privado: 'esperemos que a sabedoria prevaleça", disse Pollock. Caso Erbil e Bagdad não consigam chegar a um acordo, o especialista em geopolitica prevê mais um foco de conflito no Médio Oriente. 

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