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Criador do Telegram alvo de processo judicial na Rússia por "contribuição ao terrorismo"

O criador da plataforma Telegram, , qualificou como um "espetáculo triste" o processo judicial instaurado esta terça-feira pela justiça russa contra si por alegada "contribuição ao terrorismo".

Pavel Durov, na Indonésia (2017)
Pavel Durov, na Indonésia (2017) AP/Tatan Syuflana

"Todos os dias as autoridades inventam novos pretextos para restringir o acesso dos russos ao Telegram, numa tentativa de suprimir o direito à privacidade e à liberdade de expressão", escreveu Durov no seu canal na plataforma de mensagens.

O Kremlin (presidência russa) acusou horas antes Durov de se recusar a cooperar com as autoridades após o Serviço Federal de Segurança russo (FSB) ter aberto um processo judicial.

Durov acrescentou que se trata de um "triste espetáculo de um Estado que teme o seu próprio povo".

Esta segunda-feira de manhã, os meios de comunicação social russos informaram que o FSB instaurou um processo criminal contra o dono do Telegram, alegando que "a ilusão de anonimato trouxe para a rede de mensagens um exército de radicais, toxicodependentes, assassinos e terroristas, o que se tornou uma ameaça para a sociedade" russa.

Durov acusou o Governo russo de estar a atacar as aplicações de mensagens e redes sociais para obrigar os seus utilizadores a migrar para uma aplicação estatal "criada para vigilância e censura política".

As autoridades russas começaram a restringir os serviços do Telegram, juntamente com o WhatsApp, em meados de 2025.

A justiça russa exige que o Telegram, em conformidade com a legislação nacional, localize os servidores que armazenam os dados dos utilizadores, o que colocaria em risco a privacidade dos mesmos.

Na Rússia, aplicações como o Instagram e o WhatsApp são impossíveis de aceder sem de um sistema VPN, que possibilita uma ligação segura e privada entre o dispositivo do utilizador e a Internet, através de encriptação de dados e de ocultação do endereço IP (a identificação de um dispositivo numa rede).

O uso de VPN tornou-se generalizado na Rússia, sendo a única maneira de contornar as proibições impostas pelo Estado.

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