Além dos sucessivos desastres naturais, a crise humanitária em Cuba tem sido agravada pelo bloqueio energético e sanções impostas pelos Estados Unidos.
A Colômbia enviou um navio para Cuba com 100 toneladas de ajuda humanitária para mitigar os efeitos da passagem do furacão Melissa e da crise energética e económica, agravada pelo embargo imposto pelos Estados Unidos.
A crise energética em Cuba tem deteriorado as condições de vida dos habitantesRamon Espinosa/AP
A Agência Presidencial de Cooperação Internacional (APC) colombiana disse que o navio da marinha ARC Caribe partiu na sexta-feira do porto de Cartagena das Índias com mantimentos básicos, incluindo alimentos não perecíveis, medicamentos, material hospitalar, materiais elétricos, utensílios domésticos e painéis solares.
"Este carregamento representa mais uma demonstração do compromisso da Colômbia com a cooperação internacional e a assistência humanitária entre nações irmãs, fortalecendo a solidariedade regional e contribuindo para o cuidado das comunidades que continuam a enfrentar condições vulneráveis", afirmou a APC, num comunicado citado pela imprensa estatal cubana.
A diretora-geral da APC, Alexandra Palencia, afirmou que o carregamento representa "uma expressão da solidariedade que une os nossos povos e a convicção de que, perante as dificuldades, a resposta deve ser a cooperação e o apoio mútuo".
Esta ajuda junta-se a mais de sete toneladas de contributos do Movimento Colombiano de Solidariedade, da Associação de Residentes Cubanos e de outras organizações da sociedade civil, disse a agência de notícias cubana Prensa Latina.
Em abril, a Colômbia enviou medicamentos, material médico e alimentos para Havana por via aérea, para ajudar a aliviar a escassez de produtos essenciais causada pela grave crise na ilha. Além disso, em novembro, o Governo colombiano enviou 240 toneladas de ajuda para a ilha para fazer face à emergência causada pelos graves danos provocados pelo furacão Melissa na região leste de Cuba.
A ONU alertou na sexta-feira para a “deterioração das condições humanitárias” em Cuba devido ao impacto da crise energética, agravada pelo endurecimento do bloqueio e das sanções dos EUA, e aos recentes desastres naturais que afetaram serviços básicos. “As condições humanitárias estão a deteriorar-se à medida que a crise energética se aprofunda”, indicou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), responsável por coordenar respostas globais de emergência.
Cuba tem sofrido vários desastres naturais, sobretudo desde outubro de 2024, quando o furacão Óscar e um colapso da rede elétrica nacional atingiram a ilha ao mesmo tempo.
Em janeiro, Washington impôs um embargo petrolífero à ilha, ameaçando com sanções e tarifas qualquer país que forneça energia a Cuba. “Todos os serviços básicos, desde a água potável e saneamento à produção de alimentos e ao setor da saúde, estão a ser afetados pela falta de combustível e de eletricidade”, explicou o OCHA.
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