Catalunha: a app que coordena milhares de independentistas

Cátia Andrea Costa 18 de outubro de 2019

Grupo que tem organizado grande parte das manifestações realizadas na região da Catalunha criou uma aplicação a que só se pode aceder por convite. Chamam-lhe plataforma para coordenar acções de desobediência civil.

"Desconheço por completo quem está por detrás do movimento Tsunami Democràtic. Não os conheço, nem direta, nem indiretamente. Conheço a iniciativa porque eu próprio a apoiei com uma mensagem no Twitter, mas desconheço por completo quem a organiza". O antigo presidente do governo catalão Carles Puigdemont respondeu assim aos jornalistas, esta sexta-feira, quando confrontado sobre a identidade do grupo que tem organizado grande parte das manifestações realizadas na região da Catalunha desde que o Supremo Tribunal espanhol condenou os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da região a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão.

"Quem são" é a pergunta mais feita, nestes últimos dias, sobre os elementos do movimento, maioriatiamente composto por jovens, e o El País adianta que o Tsunami Democràtic se ativou a 2 de setembro passado com apoios de peso: o presidente da Generalitat, Quim Torra, o vice-presidente, Pere Aragonès, e o presidente do parlamento regional, Roger Torrent. Ainda assim, nada sobre identidades, apenas sobre os meios em que mais se movem: Instagram, Twitter, Telegram e uma aplicação para telemóveis (app), considerada um elemento-chave para coordenar as estratégias e movimentos do movimento separatista. Esta sexta-feira, o Tribunal Nacional espanhol ordenou o encerramento das paginas e perfis nas redes sociais do TS, que está a ser investigado por crimes de terrorismo.

Com o mesmo nome que o nome que o movimento, Tsunami Democrático (na tradução em português), a app não está disponível nas lojas de aplicações mais conhecidas, a Google Play (Android) e a App Store (Apple). Para conseguir instalar a plataforma que pretende coordenar "ações pacíficas de desobediência civil", é preciso receber um código QR fornecido por alguém que tenha acesso ao mesmo – e só são permitidas dez utilizações. Tal facto aumenta os níveis de segurança – ao não permitir infiltrados-, mas também evita que se espalhe rapidamente entre independentistas.

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