Campanha anti-Brexit calcula que menos de 41 mil votos podem impedir saída

Lusa 09 de dezembro de 2019
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Se um número suficiente de eleitores votar taticamente contra os 'tories', a organização acredita que é possível aumentar o número de deputados dos partidos da oposição para 322 e reduzir os do Partido Conservador para 309.

Bastam 40.704 votos para impedir uma maioria absoluta do Partido Conservador nas eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro, calculou a organização pró-europeia Best for Britain, que voltou esta segunda-feira a encorajar os eleitores a votarem taticamente em candidatos pró-europeus. Um estudo encomendado por esta organização identificou 36 circunscrições onde entre 82 e 2.454 votos serão suficientes para derrotar os candidatos do partido do primeiro-ministro, Boris Johnson, que quer completar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 31 de janeiro.

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A diretora da organização, Naomi Smith, disse numa conferência de imprensa em Londres que "se um número suficiente de ‘Remainers' [cidadãos favoráveis à permanência na UE] conseguir tapar o nariz, estamos muito perto de conseguir uma última palavra num referendo". Formada por empresários e ativistas, incluindo Gina Miller, que protagonizou os processos judiciais que forçaram o governo a consultar os deputados antes de desencadear o processo do ‘Brexit' e que consideraram ilegal a suspensão do parlamento este ano, a organização Best for Britain foi formada em 2017 para promover um segundo referendo e impedir, "através de meios democráticos", a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Se um número suficiente de eleitores votar taticamente contra os 'tories', a organização acredita que, através de uma votação coordenada dos eleitores nos círculos mais disputados, é possível aumentar o número de deputados dos partidos da oposição para 322 e reduzir os do Partido Conservador para 309, resultando num parlamento dividido. Com base numa sondagem, feita no final da semana passada, especialistas analisaram as intenções de voto de mais de 28 mil eleitores britânicos e aplicaram variáveis democráticas como a idade, género e qualificações académicas, densidade populacional e resultados das eleições nos últimos três anos.

A metodologia, chamada Multilevel regression and poststratification (MRP), foi usada para prever com sucesso o desfecho das legislativas britânicas de 2017 e da eleição parcial de Peterborough em junho, quando o Partido Trabalhista derrotou por apenas 683 votos o candidato do Partido do Brexit. Segundo este estudo, a vantagem do Partido Conservador encurtou desde o final de novembro, mas a sondagem continua a projetar uma maioria absoluta de 345 assentos (366 em novembro) nos 650 da Câmara dos Comuns, enquanto que Trabalhistas, Liberais Democratas, Partido Nacionalista Escocês (SNP), Verdes e Plaid Cymru juntos contam apenas 286 deputados.

Através do portal Get Voting, os eleitores podem inserir o código postal e este indica qual é o candidato com maior possibilidade de derrotar os adversários conservadores, tendo sido identificados 467 trabalhistas, 99 Liberais Democratas, três Verdes, 4 do Plaid Cymru e 17 do Partido Nacionalista Escocês (SNP). Naomi Smith lamentou que a retirada do Partido do Brexit de 317 circunscrições dominadas pelo Partido Trabalhista tenha, na prática, resultado numa aliança eleitoral de partidos eurocéticos, enquanto que os partidos pró-europeus não se entenderam, o que, criticou, "significa que têm de ser os eleitores a fazer o trabalho por eles".

Os Liberais Democratas, Verdes e nacionalistas galeses do Plaid Cymru nomearam candidatos únicos em 60 circunscrições, renovando o pacto que ajudou a liberal democrata Jane Dodds a derrotar o conservador Chris Davies na eleição parcial de agosto em Brecon e Radnorshire, mas o Partido Trabalhista recusou juntar-se. "Não estamos a dizer às pessoas em quem votar, estamos a oferecer uma plataforma se eles quiserem saber como parar o ‘Brexit', se isso for o principal fator para irem votar na quinta-feira", vincou a empresária Naomi Smith.

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