Boris Johnson: Backstop “simplesmente tem de sair” do acordo do Brexit

Diogo Camilo , Lusa 21 de agosto de 2019
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Primeiro-ministro britânico defende que "existe uma ampla margem" para um bom acordo. Angela Merkel diz que mecanismo de salvaguarda da fronteira entre Irlandas pode ser alcançado "nos próximos 30 dias".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou esta quarta-feira o Reino Unido "não pode aceitar" o atual acordo de saída da União Europeia (UE) e que o mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa "tem de sair" do texto.

Boris Johnson
Boris Johnson

"O ‘backstop’, esse mecanismo em especial que, penso, terá efeitos graves num país democrático, simplesmente tem de sair", para evitar uma saída do Reino Unido da UE sem acordo, disse Johnson à imprensa após um encontro em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Sem o ‘backstop’, insistiu, a negociação de um novo acordo poderia evoluir rapidamente e, assegurou, "existe uma ampla margem" para um bom acordo. "Só quero ser absolutamente claro com os nossos amigos alemães e com o governo alemão: o Reino Unido quer um acordo", disse.

Por seu lado, antes da reunião com Johnson, Angela Merkel sugeriu que o Reino Unido e a União Europeia podiam encontrar uma solução favorável às duas partes sobre o backstop da Irlanda já no próximo mês, um sinal de que estaria aberta a um compromisso com o primeiro-ministro britânico.

"O backstop sempre foi uma opção de recurso até que o assunto fosse resolvido e ninguém sabe como o abordar", referiu em antevisão ao encontro com Boris Johnson. "Foi dito que provavelmente só encontraríamos uma solução em dois anos. Mas também podemos encontrar uma nos próximos 30 dias, porque não?"

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, considerou que uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo seria culpa dos britânicos e não de Bruxelas, acrescentando que qualquer negociação que Londres com os Estados Unidos não compensariam o custo da saída do bloco europeu.

O chefe de Estado referiu também que as exigências feitas por Boris Johnson para uma renegociação da saída do Reino Unido, incluindo a remoção do backstop entre Irlandas, não era negociável nos presentes modos.

"Pode [o custo de um hard Brexit] ser influenciado pelos EUA? Não. E mesmo que fosse uma escolha estratégica, seria a custo de uma histórica vassalagem do Reino Unido. Não creio que seja o que Boris Johnson quer. Não creio que seja o que o povo britânico quer".

Johnson pediu na segunda-feira à UE para reabrir as negociações do ‘Brexit’ e prescindir do mecanismo de salvaguarda da fronteira entre Irlandas, o ‘backstop’, o mecanismo que se destina a evitar a imposição de uma fronteira física entre a Irlanda, membro da UE, e a Irlanda do Norte, província do Reino Unido.

O mecanismo, que mantém o Reino Unido alinhado com as regras do mercado comum até ser assinado um acordo de comércio livre entre o país e a UE, é "inegociável" para os 27 Estados-membros, que o consideram a única hipótese viável de manter a paz na Irlanda.

A posição foi aliás reiterada na terça-feira por Angela Merkel, que frisou a importância do ‘backstop’ enquanto garante da paz na Irlanda, mas admitiu avaliar alternativas "práticas", para o que, assegurou, não é preciso renegociar o acordo de saída.

A chanceler alemã frisou que a questão do ‘backstop’ se enquadra na relação futura entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido, a chamada Declaração Política, pelo que "não há necessidade de reabrir o acordo de saída".

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