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Atropela, esfaqueia e foge: homem que lançou o pânico em Modena é italiano, formado em Economia e não tem antecedentes criminais

Oito pessoas ficaram feridas; presidente Sergio Mattarella e primeira-ministra Giogia Meloni estarão hoje na cidade.

O ataque que ontem lançou o pânico nas ruas de Modena, no norte de Itália, foi perpetrado por Salim El Koudri, um homem de 31 anos nascido em Bergamo, residente em Ravino, filho de imigrantes marroquinos. Pouco antes das 17 horas locais, El Koudri entrou ao volante de um Citroën C3 na Via Emilia Centro, no cruzamento com a Viale Martiri della Libertà, a 100 km/h, e abalroou propositadamente os peões, causando oito feridos, alguns dos quais em estado muito grave. Duas mulheres tiveram as pernas amputadas.

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Depois de embater com o carro numa montra de uma loja de roupa, fugiu a pé munido de uma faca com uma lâmina de 20 centímetros, acabando por ser detido por quatro cidadãos, entre os quais dois egípcios. Antes de ser imobilizado, ainda esfaqueou um dos perseguidores.  

O país ficou em choque com o sucedido, o presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giogia Meloni - que cancelou uma visita ao Chipre - deslocam-se hoje à cidade, onde vão visitar os feridos, entre o quais estão dois cidadãos estrangeiros, um turista alemão e uma mulher polaca.

Mas quem é Salim El Koudri? Formado em Economia, nasceu em março de 1995 no seio de uma família de origem marroquina. Cresceu na região de Modena, onde viveu toda a vida. Morava em Ravarino, a nordeste da cidade, e até ontem o seu nome não aparecia nos registos policiais. Sem antecedentes criminais ou perfil criminal conhecido, os investigadores tentam reconstruir as horas que antecederam o ataque e, sobretudo, o contexto pessoal e psicológico em que tudo isto ocorreu.

Aparentemente não teria ligações a círculos extremistas, as buscas levadas a cabo em sua casa não revelaram qualquer evidência de radicalização religiosa ou contacto com organizações subversivas. Os investigadores estão, por isso, focados num possível quadro de instabilidade mental. O historial médico de Salim El Koudri está a ser reconstruido com o apoio dos serviços locais da Secretaria Municipal de Saúde de Modena, e percebeu-se já que teria sido "tratado pelo centro de saúde mental para transtornos esquizoides", em 2022, desaparecendo pouco depois.

No Instagram, uma frase simples na sua biografia: "Gostava de entender a gramática das pessoas como entendo as letras do árabe." 

A comunidade islâmica local está em choque. O imã de Ravarino, Abdelmajid Abouelala, admitiu em declarações à Gazzetta di Modena nunca ter conhecido El Koudri. "Mas conheço bem o pai. Tudo o que posso dizer sobre é que é uma boa pessoa, tal como o resto da família. É trabalhador, educado de quem nunca ouvi falar mal."

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