Alemanha e Itália congratularam-se esta sexta-feira com o acordo entre a UE e o Mercosul, por considerarem que vai fortalecer a soberania da Europa e salvaguardar os agricultores locais.
Friedrich Merz, chanceler alemãoFoto AP/Markus Schreiber)
O chanceler alemão, Friedrich Merz, considerou que a assinatura do acordo de comércio livre constitui "um marco" que permite um importante sinal da soberania estratégica e da capacidade de ação da UE, de acordo com um comunicado.
"Com este tratado, fortalecemos a nossa economia e as relações comerciais com os nossos parceiros na América do Sul. Isto é bom para a Alemanha e para a Europa", afirmou, lamentando, no entanto, que tenham sido precisos 25 anos de negociações.
Também a primeira-ministra italiana sublinhou que o acordo obteve "resultados muito importantes" da Comissão Europeia em relação às garantias para o setor agrícola italiano, uma exigência que Giorgia Meloni lembrou ter sido imposta pela Itália.
Na conferência de imprensa anual, Meloni explicou que a Itália manteve a posição quanto à assinatura do acordo e a aprovação estava condicionada à obtenção de garantias essenciais para o setor agrícola italiano, como "um mecanismo de salvaguarda para os produtos sensíveis" e "um reforço significativo dos controlos fitossanitários nos pontos de entrada".
A primeira-ministra insistiu que a Itália não podia assinar o acordo "à custa" dos produtores italianos.
"Sempre dissemos que éramos a favor do acordo com o Mercosul, mas só quando houvesse garantias suficientes para os nossos agricultores", salientou.
"Na minha opinião, o equilíbrio alcançado é sustentável", disse Meloni, adiantando que a Itália iniciou negociações sobre o orçamento europeu destinado à Política Agrícola Comum (PAC).
"Garantimos um compromisso da Comissão Europeia para antecipar, de 2031 para 2028, a utilização de mais 45 mil milhões de euros para a agricultura, além do compromisso de não aumentar os preços dos fertilizantes", concluiu.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul deverá ser formalmente aprovado às 17:00 de Bruxelas (16:00 de Lisboa) e assinado no dia 12 no Paraguai, disse à Lusa fonte europeia.
Numa primeira votação, pelos embaixadores dos Estados-membros junto da UE (Coreper), a proposta passou com os votos contra de França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria e a abstenção da Bélgica, não tendo sido formada uma minoria de bloqueio representando 65% da população da UE.
Se nenhum país se juntar entretanto ao lado dos 'contra', o procedimento escrito é encerrado com a aprovação do acordo que levou 25 anos a ser negociado.
O Mercosul é composto pela Argentina, Brasil, Paraguai (que assume atualmente a presidência) e Uruguai.
A fim de reforçar a UE e garantir que o bloco possa reagir rapidamente a perturbações do mercado, o acordo inclui uma cláusula de salvaguarda (um "travão de emergência"), com uma redução de 8% para 5% nas variações de preços em caso de desestabilização do mercado na Europa, mas também medidas de reciprocidade nas condições de produção, nomeadamente ambientais, e controlos reforçados.
As negociações para criar uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo começaram em 1999, lideradas pela Comissão Europeia, que tutela a política comercial do bloco, e estiveram estagnadas durante anos, mas a política comercial dos Estados Unidos acabou por dar força ao acordo, dada necessidade de procura de novos parceiros pela UE.
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