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Ucrânia: Negociações em Abu Dhabi terminam sem divulgação de resultados

Lusa 24 de janeiro de 2026 às 14:15

As partes admitem retomar o diálogo nos próximos dias.

 Representantes ucranianos e russos terminaram este sábado uma primeira ronda de negociações em Abu Dhabi sob mediação norte-americana, disseram as duas delegações sem revelar resultados, mas admitindo retomar o diálogo nos próximos dias.
Chefe da secreta militar da Ucrânia, Kyrylo Budanov, integrou as negociações em Abu Dhabi AP
“As conversações concluíram”, disse uma fonte oficial à agência de notícias russa TASS, que descartou a possibilidade de a ronda trilateral prosseguir nas próximas horas. A delegação russa regressou ao hotel após quase três horas de conversações à porta fechada sobre o controlo do Donbass, no leste da Ucrânia, e medidas de segurança para o pós-guerra. Uma fonte comentou à agência russa que não se podia dizer que não existissem resultados, uma vez que “eles existem”, embora não os tenha precisado, segundo a agência espanhola EFE. Referiu ainda que “existem possibilidades” de a segunda ronda se realizar nos próximos dias. Os delegados ucranianos informaram o meio de comunicação ‘online’ norte-americano Axios que a reunião foi “construtiva e positiva”, e admitiram também a existência de resultados. Confirmaram igualmente que as negociações prosseguirão na próxima semana. Segundo informou previamente uma fonte à agência TASS, russos e ucranianos estudaram hoje vários documentos sobre “território, garantias [de segurança] e outros aspetos” do acordo de paz.
Ambos os lados e os mediadores reconheceram na sexta-feira, no primeiro dia da reunião, que a retirada das tropas ucranianas do Donbass (constituído por Donetsk e Lugansk) é o principal obstáculo nas negociações trilaterais. “Este assunto continua a ser o mais complexo. Para a Rússia, é importante a retirada do exército ucraniano do Donbass. Para isso, estão a ser equacionados diferentes parâmetros de segurança”, assinalou hoje uma fonte oficial à TASS. A Rússia opõe-se categoricamente ao destacamento de tropas ocidentais em território do país vizinho, que invadiu em fevereiro de 2022, dando início à guerra em curso desde então. A Ucrânia exige garantias que obriguem os Estados Unidos e os aliados europeus a defender o país em caso de nova agressão russa em linha com o artigo 5.º da NATO, que prevê a defesa coletiva se um dos membros for atacado. O Presidente russo, Vladimir Putin, deu o aval à realização das negociações trilaterais em Abu Dhabi após uma reunião na sexta-feira com os emissários dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner. O líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o mesmo depois de se ter reunido na quinta-feira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, no âmbito do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça. A delegação da Rússia é liderada pelo almirante Igor Kostiukov, número dois do Estado-Maior e chefe da secreta militar (GRU), incluindo apenas militares. Já a delegação ucraniana é integrada, entre outros, pelo chefe da secreta militar, Kyrylo Budanov, pelo líder parlamentar David Arakhamia e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov.
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