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Ucrânia: Escolas de Kiev encerram duas semanas devido a crise energética

Lusa 16 de janeiro de 2026 às 18:41

Vitali Klitschko afirmou que a prioridade “é a segurança das crianças e a preservação do processo educativo, mesmo em condições difíceis".

As escolas de Kiev vão encerrar durante duas semanas a partir de segunda-feira, em plenas dificuldades causadas pelos ataques russos às infraestruturas energéticas da Ucrânia, anunciou esta sexta-feira o presidente da câmara da capital ucraniana, Vitali Klitschko.
Escolas de Kiev encerram por duas semanas face à crise energética AP Photo/Julia Demaree Nikhinson
"A partir de 19 de janeiro, as escolas da capital estarão encerradas até 01 de fevereiro", informou Klitschko na rede social Telegram, explicando que a pausa será compensada com as férias da primavera e do verão. O autarca comentou que a prioridade “é a segurança das crianças e a preservação do processo educativo, mesmo em condições difíceis". Pouco antes, o presidente da câmara tinha assinalado que cerca de 100 edifícios residenciais permanecem sem aquecimento, de um total de 6.000 afetados pelos ataques russos em grande escala de 09 de janeiro. A situação do fornecimento de energia continua "muito difícil", reconheceu, acrescentando que a capital ucraniana continua a operar com base num calendário de cortes de energia programados, que servem para distribuir a eletricidade disponível entre os consumidores. A Câmara de Kiev decidiu hoje também limitar o uso de eletricidade para iluminação pública, com efeitos imediatos. A iluminação para fins arquitetónicos, decorativos e publicitários será desligada, e a intensidade da iluminação pública será reduzida para 20% ou, quando tal não for possível, 50% dos postes de iluminação serão desligados para reduzir o consumo. Na quarta-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou a intenção de decretar o “estado de emergência” no setor energético do país, afetado por uma série de ataques russos de grande escala e um inverno difícil. “O estado de emergência será declarado para o setor energético da Ucrânia”, afirmou na ocasião Zelensky, acrescentando que “as consequências dos ataques russos e da deterioração das condições meteorológicas são graves”. A Alemanha, um dos principais parceiros de Kiev desde o início da invasão russa, há quase quatro anos, anunciou hoje por seu lado mais 60 milhões de euros para ajudar a Ucrânia a lidar com a crise das suas infraestruturas energéticas atingidas pelos ataques de Moscovo. "Mobilizámos mais 60 milhões de euros na Alemanha, que nos comprometemos a utilizar para fornecer aquecimento e proteção à população da Ucrânia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, em conferência de imprensa em Berlim, depois de se reunir com a sua homóloga austríaca, Beate Meinl-Reisinger. Wadephul especificou que estes recursos fornecerão à população ucraniana sistemas de aquecimento e água quente, especialmente nas residências mais afetadas pela proximidade das linhas da frente. "Apoiamos a Ucrânia, especialmente nesta situação de guerra", declarou o chefe da diplomacia de Berlim, observando ser evidente que o Presidente russo, Vladimir Putin, “quer aterrorizar a população civil", enquanto parece relutante em negociar um acordo de paz, apesar dos esforços internacionais liderados pelos Estados Unidos. Meinl-Reisinger, por sua vez, indicou que o seu país está a trabalhar no próximo pacote de ajuda austríaca à Ucrânia e manifestou solidariedade com as vítimas dos ataques russos. "As notícias que estamos a receber são indescritíveis", referiu a ministra austríaca, sobretudo no que diz respeito à falta de aquecimento e de eletricidade, adicionando que, os Estados europeus, mas também os seus indivíduos e sociedades, estão “a ser desafiados" por Moscovo. De acordo com o Instituto de Kiel, da Alemanha, que monitoriza os anúncios de ajuda pública à Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a Alemanha é o segundo maior contribuinte, com cerca de 24 mil milhões de euros em assistência militar, humanitária e financeira. As negociações promovidas por Washington com a Rússia e a Ucrânia caíram num impasse nas últimas semanas, com as partes a manterem-se separadas sobretudo por questões territoriais e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão russa. Volodymyr Zelensky manifestou hoje esperança de que a Ucrânia chegue a um acordo com Washington na próxima semana e anunciou que uma delegação do seu país estava a caminho dos Estados Unidos para prosseguir as negociações.
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