Trump não esconde a fúria em telefonema com Netanyahu: "Estarias na prisão se não fosse por mim"
Presidente dos Estados Unidos 'puxa as orelhas' do aliado israelita após ataques ao Líbano.
Donald Trump ficou profundamente desagradado com os ataques de Israel ao Líbano, que levaram o Irão a interromper as negociações de paz da última segunda-feira. Segundo a agência norte-americana Axios, o presidente dos Estados Unidos telefonou a Benjamin Netanyahu e não poupou nos palavrões.
"Que c*** estás tu a fazer? Estás completamente louco! Estarias não prisão se não fosse por mim, estou a salvar a tua pele. Agora toda a gente te odeia, toda a gente odeia Israel por causa disto", terá dito Trump segunda-feira ao primeiro-ministro iraelita, seu aliado nesta guerra contra o Irão, referindo-se ao apoio que deu a Netanyahu no julgamento em que o aliado foi acusado de corrupção.
Segundo a mesma agência, Trump terá ainda acusado o primeiro ministro israelita de ingratidão e, logo depois de desligar o telefone, foi às redes sociais dar uma versão mais suave do teor do telefonema. "Conversei com o Bibi Netanyahu hoje e pedi-lhe que não lançasse um ataque massivo contra Beirute, no Líbano. As suas tropas recuaram. Obrigado, Bibi! Também conversei com representantes da liderança do Hezbollah, que concordaram num cessar-fogo contra Israel e os seus soldados. Da mesma forma, Israel concordou num cessar-fogo. Veremos quanto tempo isto dura; espero que para sempre!"
E Netanyahu também respondeu. "Conversei com o presidente Trump esta noite e disse-lhe que, se o Hezbollah não parar de atacar as nossas cidades e os nossos cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute. A nossa posição permanece firme. Ao mesmo tempo, o exército continuará a operar conforme o planeado no sul do Líbano", escreveu o primeiro-ministro de Israel horas depois no X.
Mais de três meses de ter iniciado a guerra contra o Irão ao lado de Israel, Donald Trump já se vangloriou de ter dizimado as forças armadas de Teerão, mas a verdade é que está ansioso por chegar a um acordo de paz. Os ataques de Israel ao Líbano podem emperrar as negociações, numa fase em que o líder dos Estados Unidos continua a ser pressionado pelos efeitos devastadores que esta guerra trouxe à economia mundial.