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ONU considera "perturbadores" relatos de agressões a ativistas da Flotilha

Lusa 06 de outubro de 2025 às 21:35

Ao longo dos últimos dias, vários ativistas detidos por Israel denunciaram terem sofrido maus-tratos.

As Nações Unidas (ONU) consideraram esta segunda-feira "perturbadores" os relatos de maus-tratos, agressões e abusos por parte de autoridades israelitas contra ativistas que integravam a flotilha humanitária Global Sumud e defenderam uma rápida repatriação dos envolvidos. 
ELTON MONTEIRO/LUSA
"Vimos esses relatos e, francamente, são perturbadores. Queremos ver todas as pessoas detidas a serem repatriadas o mais rapidamente possível para os seus países de origem", afirmou esta segunda-feira Stéphane Dujarric, o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres. Questionado sobre se deve haver uma investigação a essas alegações, Dujarric indicou que "sempre que há relatos de maus-tratos, devem ser investigados". Ao longo dos últimos dias, vários ativistas detidos por Israel denunciaram terem sofrido maus-tratos. Por exemplo, a eurodeputada Rima Hassan disse esta segunda-feira, na Grécia, que foi "espancada por polícias israelitas", após participar nas embarcações humanitárias da Global Sumud Flotilla, com destino à Faixa de Gaza. Rima Hassan indicou que os ativistas têm "muito que denunciar" e garantiu que mais pessoas foram espancadas. A deputada disse ainda que não havia camas para dormirem na prisão israelita de alta segurança de Negev, no deserto, onde permaneceram. "Por vezes éramos 13 a 15 por cela, nem sequer em camas, mas em colchões no chão. Faltava-nos mesmo tudo", indicou. Hoje, Israel anunciou a , incluindo a ativista ambiental sueca, Greta Thunberg, após o seu comboio, que tentava romper o bloqueio israelita de Gaza, ter sido intercetado no mar. Em Atenas, Greta Thunberg mencionou também "os maus-tratos e os abusos que sofreram" durante a detenção, sem entrar em pormenores.
A Flotilha Global Sumud partiu de Espanha, no início de setembro, com o objetivo de romper o bloqueio israelita à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestiniano. Cerca de 50 barcos, que formavam o grupo, foram intercetados pela Marinha israelita ao largo da costa do Egito e da Faixa de Gaza entre quarta-feira e sexta-feira. A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves também foram detidos, mas regressaram no domingo a Portugal. Os detidos portugueses também denunciaram abusos e a falta de direitos dos prisioneiros nas prisões israelitas. Para os organizadores da flotilha e para a Amnistia Internacional, um movimento que defende os direitos humanos, a detenção dos ativistas foi ilegal. A guerra no Médio Oriente foi desencadeada pelos ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, sendo que a retaliação israelita já provocou mais de 65.000 mortos.
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