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“Não vou desistir”: Starmer reage à contestação interna e promete manter-se na liderança do governo britânico

Gabriela Ângelo 12 de maio de 2026 às 12:26

O resultado das mais recentes eleições locais em Inglaterra e parlamentares no País de Gales e na Escócia podem ditar o futuro de um Reino Unido com o Partido Trabalhista fracassado e o Reform UK de Nigel Farage a subir.

Na sequência de um resultado eleitoral desastroso para o Partido Trabalhista no Reino Unido, que perdeu quase 1.500 vereadores em Inglaterra e elegeu apenas nove deputados no País de Gales, 78 deputados estão a demissão do líder partidário e primeiro-ministro, Keir Starmer. 

Keir Starmer promete manter-se na liderança do governo britânico AP

No mesmo dia, Starmer dirigiu-se à nação depois das eleições locais em Inglaterra e parlamentares no País de Gales e na Escócia, que viram um aumento de autarcas e deputados do partido de extrema-direita liderado por Nigel Farage, Reform UK, garantindo que não vai ceder à pressão. 

Um discurso "tardio"

Sem blazer ou gravata e com as mangas da camisa arregaçadas, o líder do governo britânico começou por assumir a responsabilidade e prometeu dar luta. “Como qualquer governo cometemos erros, mas acertámos nas grandes decisões políticas”, afirmou, acrescentando que se tivesse ouvido conselhos de outros partidos, o país estaria envolvido no conflito no Irão, que não considera ser do “interesse” nacional. 

Questionado sobre se enfrentaria qualquer desafio à sua liderança, Starmer garantiu que sim. “Não vou desistir”, insistiu. Defendeu também que qualquer tentativa para o destituir será profundamente prejudicial, tanto para o Partido Trabalhista, como para o país. “Assumo a responsabilidade de não desistir, de não mergulhar o nosso país no caos, como os conservadores fizeram repetidamente”, assegurou. 

Deixou ainda um aviso ao Partido Trabalhista, alertando que uma derrota nas próximas eleições gerais poderá resultar num governo liderado por Nigel Farage, do Reform UK. “Não estamos apenas a enfrentar tempos perigosos, mas adversários perigosos, muito perigosos (...) Se não conseguirmos resolver isto, o nosso país entrará num caminho muito sombrio”, assegurou. 

Contudo, o seu discurso parece ter feito pouco para acalmar os ânimos entre os trabalhistas, uma vez que vários deputados vieram pedir a sua demissão. Segundo o , depois do discurso que considerou ser "tardio", a deputada Catherine West ameaçou lançar uma moção de destituição no final da semana e disse que iria recolher os nomes dos deputados que querem a demissão de Starmer em setembro. Também o deputado David Smith apelou a uma saída “ordenada e digna” do primeiro-ministro. 

Demissões no Partido Trabalhista

Segundo o canal televisivo britânico, esta segunda-feira, seis assessores ministeriais foram substituídos depois de se terem demitido ou terem exigido que Starmer estabelecesse um calendário para a sua substituição. Mas não foram os únicos, Miatta Fahnbulleh foi a primeira ministra a demitir-se, ela estava encarregue da pasta das Comunidades. 

Através de uma , Fahnbulleh afirma que iria “exortar o primeiro-ministro a fazer o que é certo para o país e para o partido e a estabelecer um calendário para uma transição ordenada”. A deputada eleita pelo bairro de Peckham, em Londres, referiu que a mensagem transmitida nas visitas porta a porta durante as eleições locais foi que o primeiro-ministro tinha “perdido a confiança do público”.

Também Jess Phillips, ministra da Proteção, e Alex Davies-Jones, ministra das Vítimas e da Violência contra as Mulheres e as Raparigas, apresentaram a sua demissão. 

Já o jornal britânico relata que pelo menos quatro ministros, Shabana Mahmoo, ministra do Interior, Yvette Cooper, ministra dos Negócios Estrangeiros, John Healey, ministro da Defesa, e o vice-primeiro-ministro, David Lammy, falaram com Starmer na segunda-feira. Alguns terão dito ao líder do governo que deveria supervisionar uma transição de poder ordenada. 

Gabinete de Starmer reúne-se

Vários meios de comunicação britânicos, como a BBC, o The Guardian e o The Times, noticiaram que o gabinete do primeiro-ministro reuniu-se na manhã desta terça-feira. Além de ser noticiada a demissão da ministra Miatta Fahnbulleh, soube-se ainda que Starmer tem intenções de “continuar a governar”. 

“Como disse ontem, assumo a responsabilidade por estes resultados eleitorais e assumo a responsabilidade de concretizar a mudança que prometemos”, terá afirmado o líder trabalhista, segundo fontes da BBC. 

À saída da residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, vários ministros mostraram apoio ao governo de Starmer. O ministro da Economia, Peter Kyle, afirmou que o líder do governo demonstrou “uma liderança firme” e que “nada foi desencadeado”, reforçando que não foi desencadeada qualquer contestação. 

Liz Kendall, a ministra da Tecnologia, assegurou que o governo de Starmer “fará aquilo para que foi eleito, que é servir o povo britânico”, e que o primeiro-ministro pode contar com o seu apoio total. Também o ministro da Habitação, Steve Reed, garantiu que o líder do governo pode contar com o seu “apoio total”.

Notícia atualizada pelas 14h06 

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