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Iranianos já podem telefonar para fora do país, mas internet segue bloqueda

Lusa 13 de janeiro de 2026 às 09:17

A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.

Vários cidadãos iranianos conseguiram esta terça-feira telefonar para o estrangeiro através dos respetivos telemóveis, mas as mensagens de várias plataformas e a Internet continuam bloqueadas há quatro dias por decisão das autoridades locais devido à contestação ao regime.
AP
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, afirmou que o Irão quer negociar com Washington após a sua ameaça de atacar aquela república islâmica devido à repressão sobre os manifestantes, que, segundo ativistas, provocou pelo menos 646 mortos. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista à televisão Al Jazeera, disse que continuava em contacto com o enviado dos EUA, Steve Witkoff. O diálogo “continuou antes e depois dos protestos e ainda está em andamento”, disse Araghchi, embora ressalvando que “as ideias e ameaças propostas por Washington contra o País são incompatíveis”. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a retórica pública do Irão diverge das mensagens privadas que o governo norte-americano recebeu de Teerão nos últimos dias. “Acho que o presidente tem interesse em explorar essas mensagens”, disse Leavitt, acrescentando que Trump ”mostrou que não tem medo de recorrer a opções militares se e quando julgar necessário, e ninguém sabe disso melhor do que o Irão.” Entretanto, manifestantes pró-governo tomaram as ruas na segunda-feira em apoio àquela teocracia, numa demonstração de força após dias de protestos que desafiaram diretamente o governo do líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei, de 86 anos. A televisão estatal iraniana transmitiu cânticos da multidão, com dezenas de milhares de pessoas, que gritavam “Morte à América!” e “Morte a Israel!”. O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país. A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão. Após as concentrações pró-governamentais de segunda-feira, o líder supremo do Irão considerou que se tratou de “um aviso aos políticos norte-americanos para que parem com as manobras enganadoras". Ali Khamenei acrescentou que estas “manifestações maciças e determinadas frustraram o plano de inimigos estrangeiros”, que seria executado por “mercenários iranianos". Em junho passado, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão. A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, pretende o envio de satélites da empresa Starlink, do multimilionário Elon Musk, de forma a garantir que a população se mantenha ‘online’.
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