Operação Marquês

Do Monte Branco ao alvo José Sócrates

A mudança na hierarquia da justiça coincidiu com o início formal do processo que visou Sócrates. Mas a investigação já estava há muito lançada. Até à próxima sexta-feira, dia da decisão do juiz Ivo Rosa, a SÁBADO vai publicar vários textos que retratam o essencial da acusação e das defesas dos arguidos.

Na sexta-feira, o juiz de instrução Ivo Rosa decide se os arguidos da Operação Marquês vão a julgamento e, se sim, acusados de que crimes. Leia tudo sobre as ligações do Monte Branco à Operação Marquês. Um trabalho publicado originalmente na SÁBADO de 14 de outubro de 2017.

Dois relatórios da Unidade de Informação Financeira (UIF) da Polícia Judiciária (PJ), separados por mais de ano e meio e com informações sobre movimentações financeiras classificadas como suspeitas, estiveram oficialmente no início da Operação Marquês, a 19 de julho de 2013. No entanto, foram as muitas ligações ao caso Monte Branco que marcaram decisivamente a nova investigação, pois o alegado testa-de-ferro de José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva, já se tinha tornado no alvo 58.978.040 para a equipa de investigadores, Rosário Teixeira e Paulo Silva, e para o juiz de instrução Carlos Alexandre. E foi nas escutas telefónicas a que ficou sujeito este empresário naquele processo aberto em junho de 2011 - curiosamente o mês em que José Sócrates saiu da liderança do Governo - que os homens das Finanças e do Ministério Público (MP) acabaram por apanhar um conjunto de conversas que consideraram suspeitas entre o antigo primeiro ministro, o amigo empresário e o ex-professor na Universidade Independente António José Morais.

Como todos os processos judiciais, a Operação Marquês foi uma construção do MP. Mas uma construção que o procurador Rosário Teixeira insistiu em afastar logo formalmente do processo Monte Branco (ao contrário do que fez com o caso das privatizações da EDP/REN, que só surgiu através de uma certidão retirada já em 2013), apesar de constarem neste último inquérito muitas evidências que lhe dão a real primazia no lançamento do caso Marquês. Com ou sem os referidos relatórios da PJ sobre comunicações financeiras suspeitas que oficialmente justificaram a abertura do inquérito.

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