Investigação

O ataque à liberdade de imprensa

Uma equipa da PSP montou vigilância à porta da residência do jornalista Carlos Rodrigues Lima às 7h30. Também o fez à porta da redação da SÁBADO e fotografou o procurador do caso BES. Veja todas as imagens recolhidas pela polícia

Entre abril e julho de 2018, elementos das operações especiais encobertas da PSP vigiaram, seguiram, fotografaram e tentaram identificar todos os contactos pessoais, ocasionais e profissionais do jornalista e subdiretor da revista SÁBADO Carlos Rodrigues Lima. A operação sigilosa de elementos policiais à paisana consta de, pelo menos, seis polémicos relatórios confidenciais que foram entregues a uma magistrada do Ministério Público (MP) e aos quais a SÁBADO teve acesso.

Andrea Marques, secundada pela diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, a procuradora-geral-adjunta Fernanda Pêgo, decidiu que a tentativa direta de devassa das fontes de informação de jornalistas, um direito protegido pela lei e pela Constituição, não deveria sequer ser levada à apreciação da juíza que tutela o processo que ainda hoje visa suspeitas de crimes de violação de segredo de justiça, violação de segredo de funcionário e falsidade de testemunho.A vigilância do elemento da direção da SÁBADO decorreu em paralelo com a ordem do MP dada à PSP para que fosse também vigiado outro jornalista, Henrique Machado, então editor no jornal Correio da Manhã e atualmente a exercer o mesmo cargo na TVI.

Os objetivos finais foram os mesmos: a devassa do trabalho de jornalista e a identificação dos contactos mantidos com "agentes policiais ou do universo dos tribunais"; ou seja, com fontes de informação. Isto foi feito antes de o MP ter qualquer tipo de indício sobre alvos concretos ligados a forças policiais ou "do universo dos tribunais".A operação de vigilância com recolha de imagens dos jornalistas foi iniciada nos últimos meses do mandato da procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal. E continuou já depois de outubro de 2018 quando Lucília Gago tomou posse no cargo de PGR. Contactadas por telefone e email, tanto Joana Marques Vidal como Lucília Gago declararam desconhecer as polémicas diligências tomadas. A atual PGR limitou-se a lavar as mãos do assunto: "O inquérito com o NUIPC 2237/18.7T9LSB encontra-se em investigação e não está sujeito a segredo de justiça, pelo que é passível de consulta, sendo que a adequação e legalidade dos atos praticados no inquérito devem ser suscitadas no âmbito do mesmo".

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