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Venda de carros elétricos em Portugal cresce 22% em março: "Os consumidores estão mais conscientes"

O presidente do Conselho Diretivo da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) diz que o aumento segue uma tendência consistente, mas admite que ainda existem entraves.

Em Portugal, o mercado dos veículos elétricos cresceu 22% em março de 2026, em comparação com o mesmo mês de 2025, "tendo sido matriculados 6.063 ligeiros de passageiros novos". Os dados são da , que também revela que foram matriculados 17.465 automóveis ligeiros de passageiros novos elétricos, plug-in e híbridos elétricos no mês passado, em Portugal.

Venda de elétricos continua a aumentar em Portugal
Venda de elétricos continua a aumentar em Portugal (AP Photo/Stephanie Scarbrough

De janeiro a março de 2026, "as matrículas de veículos ligeiros de passageiros deste tipo (automóveis novos elétricos, plug-in e híbridos elétricos) totalizaram 44.484 unidades, o que se traduziu numa variação positiva de 33,7 por cento relativamente a período homólogo de 2025".

A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) não considera que os valores do mês de março sejam surpreendentes e garante que o aumento tem sido consistente. "Não vemos que em março se reflita um aumento na venda de veículos elétricos fora do normal", diz à SÁBADO Pedro Faria, presidente do Conselho Diretivo da UVE. O responsável lembra que a associação só considera números relativos aos veículos 100% elétricos e rejeita a ideia de que a subida dos preços dos combustíveis teve um impacto direto nas vendas do mês de março: "Em fevereiro também aconteceu, portanto tem-se mantido". 

No entanto, no que diz respeito aos veículos elétricos usados, principalmente os importados, confirma que existiu um aumento significativo, perto dos 100%, no mês passado. E apesar da consistência da quota de vendas, acredita que o conflito entre os EUA, Israel e Irão teve impacto na predisposição dos consumidores. "Sentimos isso nas redes sociais, no número de pessoas que nos procuram e nas explicações que temos vindo a dar, tanto ao nível de empresas quanto de particulares", refere. Para o presidente do conselho diretivo UVE, a situação atual irá deixar marcas e já resultou numa consciência maior por parte dos consumidores, ao contrário do que se verificou nas crises anteriores. “Os consumidores estão mais conscientes", sublinha Pedro Faria.

Sobre os entraves à compra de carros elétricos, admite que a rede de carregamento portuguesa ainda precisa de ser melhorada. "Apesar de existir investimento e operadores a instalar postos, como há muitos veículos elétricos a entrar [no mercado], a rede tem muitas dificuldades em acompanhar esse crescimento". O responsável aponta principalmente entraves burocráticos, como as autorizações dos municípios, e refere que também existe desconhecimento por parte da população sobre a autonomia e baterias dos veículos 100% elétricos. "Hoje temos veículos com 800 km de autonomia, que mesmo em autoestrada fazem 600 km e as pessoas desconhecem isso. Não são veículos que estão com valores de custo inicial acessível, mas já existem. Estamos na terceira geração de veículos elétricos". 

Nos últimos anos, o Governo tem lançado incentivos para a compra de carros elétricos. No início do ano, foi anunciado um novo concurso com esse mesmo fim, durante o primeiro trimestre. O concurso anterior, lançado em dezembro de 2025, esgotou em poucas horas. 

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