Fabricantes de automóveis de todo o mundo estão a registar provisões avultadas perante o travão das vendas de veículos elétricos nos EUA. E a revogação da lei de combate às alterações climáticas ameaça trazer uma fatura mais pesada.
A indústria automóvel passou os últimos anos a investir de
forma expressiva na transformação do setor para a mobilidade elétrica. Foram investidos
muitos milhares de milhões neste processo, mas as vendas destes novos modelos
não estão a corresponder. Várias fabricantes começam, agora, a reconhecer perdas
avultadas com esta aposta, revendo estratégias para o futuro.
Fabricantes dos vários continentes, desde a Europa aos EUA,
até à Ásia, nomeadamente ao Japão, têm vindo a assumir imparidades expressivas.
A Stellantis foi uma das mais recentes, anunciando um impacto de 22 mil milhões
de euros (26 mil milhões de dólares) em resultado da reformulação das suas
operações, nomeadamente a descontinuação de projetos e modelos.
"[Esta decisão] reflete em grande medida o custo da
sobrevalorização do ritmo da transição energética", afirmou o CEO
da Stellantis, Antonio Filosa, sinalizando uma mudança na estratégia.
O mesmo já tinham feito fabricantes como a Ford e a General Motors. A primeira
assumiu perdas de 19 mil milhões de dólares com o cancelamento do projeto para
a F-150 elétrica, já a GM registou imparidades de 7,6 mil milhões após acabar
com a posta nos elétricos.
Também a Honda, no Japão, anunciou que prevê prejuízos anuais
de 5,4 mil milhões de dólares com o negócio de carros elétricos, antecipando
imparidades adicionais de 1,9 mil milhões.
Tudo somado, segundo o Financial Times, as fabricantes de
automóveis acumulam já perdas que ascendem a 65 mil milhões de dólares com a
mudança “dramática do mercado dos carros elétricos”, diz Noriya Kaihara, o
vice-presidente da Honda.
Os elétricos estão a demorar a conseguirem conquistar os
consumidores, com as vendas destes modelos a crescerem, mas muito mais devagar
do que o que a indústria esperava. Isto ao mesmo tempo que os EUA sinalizam uma
marcha-atrás nesta nova forma de mobilidade.
A administração de Donald Trump cortou os subsídios para
estes modelos, reduzindo ainda mais o apetite por veículos elétricos. E, agora,
o presidente dos EUA revogou a lei de combate às alterações climáticas, abrindo
a porta ao regresso, em força, dos motores a combustão.
Na Europa, a aposta continua a ser nos elétricos, mas o fim
anunciado dos veículos térmicos, para 2035, foi aliviado. Em vez de
desaparecerem, poderão continuar a existir, embora com um peso residual e desde
que fabricados com materiais sustentáveis.
Fim da euforia com os elétricos custa 65 mil milhões às fabricantes de automóveis
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