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Tensões aquecem no Irão e levam petróleo a ultrapassar os 70 dólares

Negócios 11:55
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Trump está a pressionar o Irão a assinar um acordo com os EUA para travar as suas aspirações nucleares ou enfrentar uma intervenção militar. A perspetiva de um conflito e possíveis disrupções no abastecimento de crude estão a levar os preços do petróleo a dispararem.

Os EUA estão prontos para atacar o Irão e a simples ameaça de uma intervenção está a agitar o mercado petrolífero. Esta quinta-feira, o Brent - o contrato de referência para o continente europeu - ultrapassou os 70 dólares pela primeira vez desde setembro do ano passado, com os investidores receosos que um novo conflito no Médio Oriente, uma região rica em "ouro negro", leve a disrupções no abastecimento de crude a nível mundial. 

A esta hora, o Brent segue a valorizar 2,68% para os 70,26 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 2,85%, para os 64,9 dólares por barril. Os dois contratos já valorizaram mais de 6% desde o arranque da semana, à boleia da desvalorização do dólar, que torna o crude mais barato para compradores internacionais, e de uma escalada de tensões entre EUA e Irão. 

Numa publicação nas redes sociais, Donald Trump, Presidente norte-americano, fez um ultimato ao regime iraniano: ou o país chega a um acordo com os EUA para acabar com o seu programa nuclear ou poderá vir a enfrentar uma intervenção militar de maiores proporções às registadas em junho do ano passado. O republicano diz que a frota enviada para o Médio Oriente está "pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente a sua missão, com rapidez e violência - se necessário". 

As tensões escalaram ainda mais com a resposta do regime liderado por Ali Khamenei. Teerão mostrou-se disponível para um diálogo baseado em "respeito e interesses mútuos", mas rejeitou qualquer tipo de pressão vinda dos norte-americanos, acrescentando que o país está pronto para "se defender e responder como nunca antes". Numa publicação nas redes sociais, a missão iraniana nas Nações Unidas relembra que a última vez que os EUA entraram em guerra com o Irão e o Afeganistão "perderam 7 biliões de dólares e mais de 7 mil vidas americanas". 

O Irão é o quarto maior produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com um "output" de cerca de 3,2 milhões de barris por dia. Qualquer ataque ao país poderia levar a uma disrupção no abastecimento de crude a nível global, levando a um aumento de preços no curto prazo - uma vez que, a longo prazo, os investidores continuam focados no grande excedente previsto por uma série de agências internacionais. 

"A possibilidade de o Irão ser atingido aumentou o prémio geopolítico dos preços do petróleo em potencialmente 3 a 4 dólares por barril", escrevem os analistas do Citigroup, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Os preços do petróleo podem permanecer mais elevados do que muitos esperavam, apesar de os mercados terem começado o ano a antecipar um grande excesso de oferta", acrescentam. 

A região do Médio Oriente é responsável por cerca de um terço do abastecimento global de petróleo. Além dos impactos na produção de crude que um ataque ao Irão teria no país, uma retaliação do regime de Ali Khamenei poderia estender as e tem apenas 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito. Cerca de um quinto do petróleo consumido em todo o mundo passa por este estreito, assim como 20% do gás consumido a nível global. 

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