Sucesso do Governo? Marcelo espera pelo final do ano

Cátia Andrea Costa , Lusa 01 de setembro de 2016
Sábado
Leia a revista
Em versão ePaper
Ler agora
Edição de 9 a 15 de junho
As mais lidas

Marcelo assumiu a sua convicção que é preciso esperar até ao final do ano para saber se o caminho económico do Governo teve sucesso ou não, mas manifestou-se confiante na redução do défice

"Eu acho que todos os caminhos são arriscados. Mas só no final do ano é que nós em rigor poderemos saber se este caminho teve o sucesso que o Governo esperava ou não". O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assumiu esta quinta-feira a sua convicção que é preciso esperar até ao final do ano para saber se o caminho económico do Governo teve sucesso ou não, mas manifestou-se confiante na redução do défice para 2,5%.

José Sena Goulão

 

Durante a primeira Festa do Livro de Belém, a propósito dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), Marcelo Rebelo de Sousa afirmou: "Estes números dão para manter o défice em 2,5% tal como ele é calculado pela União Europeia? Eu acho que sim. Se tudo estivesse até ao fim do ano como está agora, eu acho que chegamos ao défice de 2,5% do PIB no final do ano".

 

O Presidente da República disse que neste momento a balança de pagamentos e a balança comercial estão "a correr bem", mas "as exportações e o investimento estão aquém do que se tinha previsto" e "o consumo interno está aquém daquilo que o Governo esperava". "Vamos ver qual é o balanço do ano. No final do ano é que nós poderemos dizer se [o crescimento] fica muito muito longe de 1,4%, que já é uma meta revista pela Comissão Europeia, quão longe se fica. E, sobretudo, a grande prioridade, além do equilíbrio da balança de pagamentos, que é o equilíbrio no Orçamento, se é atingida ou não", prosseguiu.

 

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "se se atingir na balança de pagamentos, se se atingir no défice, o Governo atinge dois terços daquilo que prometeu". "Resta saber se atinge o outro terço, que é o crescimento da economia", acrescentou.

 

Quanto ao crescimento económico, o Presidente salientou que o INE reviu em alta o valor do segundo trimestre, para 0,3% face ao trimestre anterior e 0,9% face a período homólogo do ano passado. "Melhor notícia do que aquela que tínhamos tido há 15 dias", observou.

 

No seu entender, "se os indicadores que entretanto existem de aumento de actividade económica se confirmarem", no final do ano o crescimento pode situar-se "no 1% ou acima de 1%, portanto, mais perto de 1,4%, que é o que diz a Comissão Europeia". "Eu disse na ocasião, e mantenho, que entre 1% e 1,4% é mais realista do que 1,8% que se falou no início do ano", referiu.

 

Ainda a propósito da evolução da economia, o chefe de Estado apontou como "um factor um pouco estranho nas contas" o facto de o emprego aparecer "a subir mais do que aquilo que os números do PIB mostram". "Aqui, de duas uma, ou afinal o emprego não está a subir tanto quanto isso e os números não são verosímeis, ou está mesmo a subir e então isso quer dizer que o PIB pode subir para além daquilo que parecia", considerou, acrescentando: "Vamos ver".

 

Nestas declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a última emissão de dívida pública, considerando que "correu francamente bem" e demonstra "que da parte dos mercados financeiros há aqui uma reacção mais favorável do que nos últimos meses".

 

"Agora, continuo a dizer que é preciso uma grande contenção orçamental, é preciso que se confirme esta sensação que temos com o turismo de que o terceiro trimestre foi mais positivo economicamente do que o primeiro e do que o segundo. Vamos esperar", aconselhou.

 

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana
Artigos Relacionados
Investigação
Opinião Ver mais