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"Proposta é inadequada e valor insuficiente". Warner Bros volta a dar nega à Paramount

Negócios 07 de janeiro de 2026 às 12:50
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As tentativas de negociação entre a Warner Bros e a Paramount já se assemelham a uma luta de super-heróis e vilões da DC Comics. Nem a garantia pessoal do multimilionário Larry Ellison no fim de dezembro foi capaz de demover a administração da Warner Bros em rasgar o acordo com a Netflix.

Os diretores da Warner Bros voltaram a rejeitar a proposta do grupo Paramount Skydance, mesmo depois do . O conselho de administrador da dona da HBO continua a considerar que a proposta da Paramount permanece "inadequada" e que o valor é "insuficiente" perante aquela que foi apresentada pela Netflix. 

Warner Bros busca fusão com Netflix após rejeitar proposta da Paramount
Warner Bros busca fusão com Netflix após rejeitar proposta da Paramount Hannibal Hanschke / Lusa - EPA

Numa carta enviada aos acionistas da Warner Bros, o grupo de diretores "determinou, por unanimidade, que a oferta pública de aquisição da Paramount Skydance, alterada a 22 de dezembro de 2025, não representa aos melhores interesses da Warner Bros Discovery". 

"A oferta melhorada da Paramount permanece inadequada, especialmente considerando o valor insuficiente que proporcionaria, a incerteza quanto à capacidade da Paramount de concluir a oferta e os riscos e custos que os acionistas da Warner Bros teriam que arcar caso a Paramount não a concluísse. Portanto, o conselho recomenda, por unanimidade, que os acionistas não aceitem a oferta da Paramount", lê-se na missiva partilhada pelos diretores.

"A oferta da Paramount é inferior, dados os custos, riscos e incertezas significativos em comparação com a fusão com a Netflix. Nos termos do acordo de fusão com a Netflix, os acionistas da Warner Bros receberão um valor significativo, com 23,25 dólares em dinheiro e ações ordinárias da Netflix, representando um valor alvo de 4,50 dólares com base na faixa de preço das ações da Netflix no momento do fecho do negócio, o que possui potencial de criação de valor futuro", continuam. Também a participação na Discovery Global, que será separada do negócio, será valorizada.

A administração considerou que, caso a proposta hostil da Paramount fosse aceite, "a Warner Bros seria obrigada a pagar à Netflix uma taxa de rescisão de 2,8 mil milhões por abandonar o nosso acordo de fusão existente, incorrer numa taxa de 1,5 mil milhões de dólares por não concluir a nossa troca de dívida, que não pudemos executar sob a oferta da Paramount sem o consentimento da mesma, e incorrer em despesas adicionais com juros de aproximadamente 350 milhões de euros". Assim, os diretores apontam que o custo da escolha da Paramount ia custar "aproximadamente 4,7 mil milhões de dólares ou 1,79 dólares por ação, enquanto "em comparação, a transação com a Netflix não impõe nenhum desses custos".

Tal como a anterior rejeição, a Warner Bros reflete que a Paramount teria de se endividar fortemente, arrastando o seu negócio, o que, consideram, introduz riscos desnecessários. "A Paramount é uma empresa com valor de mercado de 14 mil milhões que está a tentar realizar uma aquisição que requer 94,65 mil milhões em financiamento por dívida e capital próprio, quase sete vezes o seu valor de mercado total. Para efetivar a transação, a empresa pretende contrair um montante extraordinário de dívida adicional – mais de 50 mil milhões – por meio de acordos com diversos parceiros financeiros. A transação proposta pela Paramount é, na prática, uma aquisição alavancada ("LBO"). De facto, esta seria a maior LBO da história, com 87 mil milhões de dólares em dívida bruta pro forma e uma alavancagem bruta estimada em aproximadamente sete vezes o EBITDA projetado para 2026, antes das sinergias", sustentam. 

Assim, os diretores assumem que "uma estrutura de LBO introduz riscos, dada a dependência da adquirente da capacidade e da disposição de seus credores em fornecer os fundos no fecho do negócio. Mudanças no desempenho ou na situação financeira da empresa-alvo ou da adquirente, bem como mudanças no setor ou no cenário de financiamento, poderiam comprometer esses acordos de financiamento". Desta forma, a estrutura de negócio apresentada pelo grupo gerido por David Ellison "representa um risco materialmente maior para a Warner Bros e os seus acionistas quando comparada à estrutura da fusão com a Netflix".

Em relação ao argumento utilizado pela Paramount de que a sua proposta é "superior" à da concorrente de "streaming", a Warner Bros admite que a Paramount "falhou repetidamente em apresentar a melhor proposta para os acionistas" da dona da HBO, e que as propostas que chegam à mesa de negociações "incluem muitas das deficiências que identificamos repetidamente".

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