Iniciativa do Governo surge na sequência da decisão da Agência Internacional Europeia, que pediu a libertação de até 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos 32 países membros, onde se inclui Portugal .
Portugal vai libertar nas próximas semanas 2 milhões de barris das suas reservas estratégicas, o que representa 10% do armazenado, revelou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, à saída das jornadas parlamentares do PSD. O número equivale a cerca de 275 mil toneladas de produtos petrolíferos e derivados.
Luís Montenegro nas jornadas parlamentares do PSDHugo Delgado / Lusa - EPA
A medida surge enquadrada na decisão da Agência Internacional de Energia (AIE), que pediu a libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas dos 32 países membros, onde se inclui Portugal.
Trata-se da ativação do mecanismo solidário em que cada país vai alocando parte das reservas de que dispõe para apoiar outros estados membros da AIE, de forma flexível e à medida das necessidades dos diferentes países. O caso mais preocupante, neste momento, é o do Japão, uma vez que o último navio com petróleo da região do Golfo chegará ao país para abastecimento hoje.
Aliás, a primeira-ministra do Japão confirmou esta manhã que o país se prepara para tomar a dianteira na libertação de petróleo das
suas reservas estratégicas. Sanae Takaichi anunciou que o país vai começar a introduzir crude no mercado
já na próxima semana - sem esperar pela decisão dos membros da Agência
Internacional de Energia (AIE), da qual o Japão também faz parte.
Takaichi revelou ainda que a utilização das reservas pode acontecer já na
segunda-feira. O "stock" de crude japonês é mantido em conjunto pelo
setor privado e pelo Estado, correspondendo ao equivalente a 254 dias de
consumo da matéria-prima e produtos destilados no país.
Portugal, através da Direção-Geral de Energia, tem assento no "governing body" da Agência Internacional de Energia, que reuniu na terça-feira ao final do dia em Paris.
Trata-se da maior "libertação" de reservas de emergência de barris de petróleo de sempre, superando em larga escala o movimento feito depois do início da guerra na Ucrânia (de 180 milhões de barris). Já no início da madrugada o jornal The Wall Street Journal noticiava que a AIE preparava-se para fazer a maior libertação de sempre de reservas estratégicas de petróleo.
Nesta quarta-feira de manhã, os países do G7 apoiaram a utilização de reservas estratégicas para mitigar a subida dos preços da energia. "Apoiamos, em princípio, a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo a utilização de reservas estratégicas", declararam os ministros da energia do G7 num comunicado conjunto divulgado esta quarta-feira.
Os 32 países que são membros da AIE têm, no seu conjunto, 1,2 mil milhões
de barris de petróleo em reservas de emergência.
O mapa de
reservas relativo ao quarto trimestre de 2025 indica que Portugal
dispunha de cerca de 1,56 milhões de toneladas de reservas físicas de
petróleo e produtos petrolíferos, distribuídas por diferentes categorias de
combustíveis e por várias infraestruturas de armazenamento, segundo dados da Entidade
Nacional para o Setor Energético (ENSE).
Estas reservas
integram o sistema nacional de segurança energética e contam para o cumprimento
da obrigação de manter stocks equivalentes a cerca de 90 dias de consumo.
Deste total,
cerca de 538 mil toneladas correspondem a petróleo bruto, enquanto os
restantes volumes dizem respeito a combustíveis refinados. Entre estes
incluem-se aproximadamente 51,4 mil toneladas de gasolina, 297,9 mil
toneladas de gasóleo e cerca de 623,9 mil toneladas de GPL e fuelóleo.
As reservas
encontram-se distribuídas por várias infraestruturas logísticas, sobretudo em
território nacional, incluindo instalações da Petrogal em Sines e Matosinhos
e os terminais da Companhia Logística de Combustíveis (CLC) em Aveiras, que abastece por exemplo o Aeroporto de Lisboa.
Parte do armazenamento pode também ser assegurada através de contratos de
reservas no exterior, conhecidos como “tickets”, que correspondem a
combustíveis armazenados noutros países europeus, mas que podem ser mobilizados
em caso de necessidade.
Portugal é
obrigado a manter reservas estratégicas equivalentes a pelo menos 90 dias de
consumo de petróleo e produtos petrolíferos, uma exigência da legislação
europeia, sendo que a supervisão deste sistema cabe à ENSE, que atua como Entidade
Central de Armazenagem e é responsável por assegurar diretamente 30 dias
dessas reservas, enquanto os restantes 60 dias são garantidos pelos
operadores obrigados, como empresas petrolíferas e importadores que colocam
combustíveis no mercado nacional.
O objetivo é
garantir que o país dispõe de stocks suficientes para responder a eventuais
interrupções no abastecimento internacional de petróleo e derivados.
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