O negócio milionário com a nostalgia dos anos 90

Joana Stichini Vilela 24 de fevereiro de 2020

Se acha que estas pessoas, objetos e personagens já passaram à história, engana-se: eles estão de volta - e em força - na grande onda revivalista que está a percorrer a moda, a música, o cinema, a televisão e os videojogos.

Tal como todo o culto tem um mestre de cerimónias, este também tem o seu MC. Não de batina e solidéu, mas de brincos, tatuagens e calças laranja. Às 2h30, Paulo Silver, 37 anos, entra em palco pronto para arrasar a Império Romano - a discoteca da Marinha Grande que é também um clássico dos anos 90 - em mais uma paragem da digressão Revenge Of The 90s. "Bem-vindos à viagem!", arranca.

Aquilo que poderia ser descrito apenas como uma série de festas temáticas, com clímax apoteótico previsto para a noite de passagem de ano, no Coliseu de Lisboa, todas as noites se transforma em movimento religioso e negócio milionário, com um tipo específico de fiel, o "noventeiro": camisa xadrez, lenços nos pulsos, nostalgia no coração. Segue um único evangelho: o revivalismo da década de 90, a mais recente galinha dos ovos de ouro de grande parte da indústria do entretenimento e do consumo.

Entre bustos neoclássicos, bolas de espelhos e Game Boy gigantes, o ambiente está ao rubro. "A viagem é um carro que nos vai levar por todas as memórias e sentimentos que mexeram connosco!", prossegue Silver, de quem poderá lembrar-se da série juvenil Chiquititas, quando ainda respondia por Paulo Silva. Voam jelly shots (shots de gelatina) pelo ar. O disc-jockey André Henriques, 40 anos, lança o hit eurodance dos Santamaria, Eu Sei, Tu és. E a Império Romano ascende às alturas. Mais tarde, há de ir abaixo.

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