Cidade do México, metrópole com mais de 21 milhões de habitantes, está entre a comoção e a indignação.
Milhares de adeptos já chegaram ao Estado da Cidade do México para o arranque do Mundial, enquanto dezenas de milhares de manifestantes tentam irromper pelos cordões policiais.
Pessoas protestam antes do início do Campeonato do MundoFelix Marquez/picture-alliance/dpa/AP Images
A Cidade do México, metrópole com mais de 21 milhões de habitantes, está entre a comoção e a indignação.
Desde as 08h00 locais (15h00 em Lisboa) que as autoridades abriram as portas do Estádio da Cidade do México (antigo Estádio Azteca) para que as primeiras centenas de adeptos, quase todos 'da casa', pudessem começar a preencher as 87.000 cadeiras.
As artérias da cidade que dão acesso ao estádio estão preenchidas de verde, branco e vermelho, cores da bandeira mexicana, para o encontro inaugural do campeonato contra a seleção da África do Sul.
A decisão de abrir as portas do estádio cinco horas antes não foi ao acaso: a Guarda Nacional e a polícia montaram um enorme cordão para barrar a passagem das dezenas de milhares de manifestantes que se aproximam desde a madrugada ao estádio, sob ameaça de impedir a realização do jogo.
Na Avenida del Imán, uma das principais, os adeptos fecharam a rua para improvisar um jogo de futebol, com balizas.
Mas o encontro foi interrompido prematuramente pelas 'Madres Buscadoras', um coletivo que procura responsabilizar o Estado pelo que consideram ser inação das autoridades em relação aos mais de 123 mil desaparecidos no país.
Entre os cartazes que empunhavam podia ler-se "Se lucha no se juega" ("Lutamos em vez de jogar").
Os insultos entre os aficionados do futebol e os manifestantes rapidamente irromperam em violência, sem a presença das autoridades para interromper a violência.
Os manifestantes acabaram por bloquear a rua, com faixas e cartazes espalhados, e os próprios corpos a impedir a passagem.
"Tú cuentas gole, nosotras desaparecidos" ("tu contas golos, nós [o número] de desaparecidos", escreveram os manifestantes em lençóis para impedir a passagem de adeptos e da própria polícia.
Uma estátua da artista Frida Khalo foi vandalizada com pinturas que insultam a FIFA.
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