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Evento, que termina este domingo, ficou marcado por várias controvérsias, nomeadamente por treinadores suspensos, confissões de traição em direto e atletas acusados de roubo ou agressão sexual.
Embora os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano tenham proporcionado desempenhos excecionais, como a vitória recorde do patinador de velocidade americano Jordan Stolz na prova masculina de 1.000 metros, houve uma série de incidentes polémicos que acabaram por desviar a atenção desta competição, que colocou à prova mais de 3.500 atletas. O evento teve início oficialmente a 6 de fevereiro em Itália. Termina este domingo, 22 de fevereiro.
Jogos Olímpicos de Inverno 2026Foto AP/Nikos Seimenakis
Atleta francesa condenada por roubo participa nos Jogos
A atleta francesa Julia Simon conseguiu conquistar uma medalha de ouro, mas viu a sua vitória ser ofuscada por toda a história em torno de uma condenação criminal, que ocorreu em outubro do ano passado, por ter roubado e usado cartões de crédito pertencentes à sua colega de equipa Justine Braisaz-Bouchet e a uma fisioterapeuta da equipa.
Além de ter enfrentado uma pena de prisão, foi também multada em 15 mil euros e no início de novembro foi suspensa durante seis meses da Federação Francesa de Esqui. O órgão regulador do desporto acabou, contudo, por suspender durante cinco meses essa ordem de proibição, o que significa que a atleta só perdeu a abertura do Mundial, que ocorreu em Oestersund, na Suécia.
"Não consigo explicar as minhas ações. Precisei de trabalhar com um psicólogo para entender e superar isso", disse ela em tribunal na época da condenação.
Depois de Simon ter conseguido arrecadar a medalha de ouro, a atleta levou um dedo à boca como se estivesse a pedir o silêncio dos meios de comunicação relativamente a eventos do passado. "O que eu realmente gostaria agora era que me deixasse em paz", disse a um jornalista do Eurosport.
Atleta Julia Simon sorri com medalha nos Jogos Olímpicos de InvernoFoto AP/Andrew Medichini
Medalhas a voar
A esquiadora americana Breezy Johnson foi uma das primeiras atletas que viu a sua medalha de ouro a desfazer-se. A atleta mostrou durante uma conferência de imprensa como a medalha se deslocou da fita. "Então, aqui está a medalha e aqui está a fita", disse ela aos jornalistas. "E aqui está a pequena peça que deveria encaixar na fita para segurar a medalha, e sim, ela soltou-se."
Breezy Johnson foi uma das primeiras atletas que viu a sua medalha de ouro a desfazer-seFoto AP/Andy Wong
Este podia até ter sido um episódio esporádico mas não foi isso que se verificou. Também outros atletas revelaram o mesmo problema com das suas medalhas.
As 1.146 medalhas dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano foram fabricadas pelo Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, que informou que iria reparar todas aquelas que foram entregues com defeito. “Os atletas que possuírem medalhas com problemas são convidados a devolvê-las pelos canais apropriados para que possam ser reparadas imediatamente”, disse Luca Casassa, um porta-voz do comité organizador.
O mesmo problema também já tinha surgido em 2024, durante os Jogos Olímpicos de Paris. Na altura, tiveram de ser substituídas cerca de 220 medalhas, segundo o France24.
Treinador finlandês mandado para casa por consumo de álcool
No dia 12 de fevereiro, o treinador de salto de esqui finlandês, Igor Medved, foi obrigado a abandonar a competição depois de ter violado as regras de conduta da equipa relacionadas com o consumo de álcool. A informação foi adiantada em comunicado pela chefe da equipa da Finlândia, Janne Hanninen.
"Cometi um erro e peço sinceras desculpas", disse o treinador em comunicado citado pela revista People. "Quero pedir desculpas a toda a equipe finlandesa, aos atletas e também aos torcedores."
Atleta ucraniano banido da competição
Uma das várias controvérsias mereceu até manchetes de jornais, isto porque o atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych foi banido da competição por ter usado um capacete com as fotografias de outros atletas mortos durante a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. "Alguns deles eram mais meus", disse ele.
COI baniu atleta ucranianoAP
Na altura, o Comité Olímpico Internacional (COI) afirmou que o jovem de 27 anos não poderia usar aquele capacete porque violava a regra que proíbe manifestações políticas na competição, mas o atleta de skeleton ignorou a ordem e compareceu para a prova. Foi impedido de competir 54 minutos antes do início da competição.
"Acho realmente que poderíamos ter ganhado uma medalha. Sinto que me foi tirada a oportunidade", disse Heraskevych.
O Comité afirmou, contudo, que ofereceu a oportunidade de o jogador usar apenas uma braçadeira preta ou até mesmo o capacete, mas depois de sair da pista.
Face a este cenário, que gerou alguma onda de choque, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, critiou a decisão do Comité e o dono do clube de futebol ucraniano Shakhtar Donetsk ofereceu 200 mil dólares ao atleta - valor este que corresponde ao dinheiro que a Ucrânia oferece a cada atleta que conquiste uma medalha de ouro.
Atleta confessa ter traído a namorada
Uma das polémicas que também percorreu o mundo foi o facto do atleta norueguês Sturla Holm Lægreid, depois de ter ganhado uma medalha de bronze, ter surpreendido o público ao revelar ter traído "o amor da sua vida". “Há seis meses conheci o amor da minha vida, a pessoa mais bonita e mais bondosa do mundo. Há três meses, cometi o maior erro da minha vida e fui infiel", confessou em declarações ao NRK. "Fiz asneira e tu tens de admitir quando fazes algo que magoa alguém que amas muito."
O atleta acabou por descrever a sua última semana como "a pior da sua vida" - isto porque Lægreid confessou a sua infidelidade à então companheira uma semana antes de ter ingressados nos Jogos Olímpicos de Inverno.
“Hoje decidi contar ao mundo o que fiz, para que talvez ela perceba o que realmente significa para mim. E talvez não, mas não quero pensar que não tentei tudo para a ter de volta.”
Atleta norueguês celebra pódio nos Jogos Olímpicos de InvernoFoto AP/Andrew Medichini
Um dia depois da confissão, a ex-namorada, cujo nome não foi revelado, disse ao jornal noruguês VG que se sentiu magoada por ele a ter "colocado nessa situação" e que seria "difícil de o perdoar, mesmo depois de uma declaração de amor diante do mundo inteiro".
Mais tarde, Lægreid disse à NPK que se arrependia "profundamente" de ter exposto o caso de infelicidade diante de todo o mundo.
Atleta acusado de agressão sexual
Dança no gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno sob polémicaFoto AP/Natacha Pisarenko
Laurence Fournier Beaudry e Guillaume Cizeron, que conquistaram a medalha de ouro na dança no gelo, têm um passado marcado por algumas tensões. Em 2024, o namorado de Fournier, Nikolaj Sorensen, foi suspenso do desporto devido a alegações de agressão sexual, que ele negou, segundo a agência de notícias Reuters.
A suspensão de Sorensen acabou, no entanto, por ser anulada e Beaudry acabou por ser criticada pela forma como lidou com a acusação.
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