"Quando é o Sporting, quando é Portugal... deixem-me estar sossegado"
O seu nome faz parte da história do Sporting, mas Pedro Santana Lopes também torce por um lugar da Seleção portuguesa na história do futebol.
Quer ver os jogos "sossegado" e revelou à SÁBADO o seu 11 preferido para o arranque da Seleção Nacional neste Mundial, frente à República Democrática do Congo. Mas o atual presidente da Figueira da Foz não acredita em favas contadas.
Que expectativas tem para o primeiro jogo com a República Democrática do Congo? À partida, um jogo fácil, mas...
Com tantas surpresas que tem havido, temos de estar preparados também para isso. Espero que nós não confirmemos essa tendência, mas, enfim, o futebol em África tem evoluído muitíssimo. Há seleções mais fortes do que outras. Já jogou a seleção da Nigéria, Cabo Verde foi extraordinário. Acho que há que esperar tudo.
O empate da Espanha com Cabo Verde pode aumentar, de certa forma, os nossos receios ou ansiedade relativamente ao primeiro jogo de Portugal?
Acho que pode e deve. A Alemanha ganhou por 7-1 a Curaçao, mas acho que são 150 mil habitantes, é um país muito pequeno. Mas a tendência está a ser para os que eram grandes estarem iguais aos que eram pequenos. Acho que Portugal tem de se preparar para isso também, tem de estar muito desperto para não lhe acontecer a mesma coisa.
Qual seria o seu 11 inicial para este primeiro jogo?
Na baliza, acho que o Diogo Costa é difícil de contestar. À direita, talvez o Nélson Semedo ou o Diogo Dalot. No meio, o Rúben Dias e o Gonçalo Inácio. À esquerda da defesa, o Nuno Mendes. No meio, enfim, temos muitos jogadores, mas o João Neves também é capaz de jogar a médio de abertura, uma expressão mais do râguebi, mais o Bruno Fernandes... E, na frente, o Cristiano Ronaldo, como é natural, o Bernardo Silva e o Rafael Leão.
Tentou comprar algum bilhete para ir ver um jogo ao Mundial?
Não.
Não estando num estádio, qual é, para si, o melhor sítio para ver um jogo da nossa Seleção?
Em casa, sossegado. Sinceramente. Nos jogos mais importantes gosto de ir para o estádio ou então estar a ver sossegado. Não gosto de ver com muita confusão. Porque gosto mesmo de futebol, gosto de ver o jogo. Nos bons acontecimentos, seja em que área for - música, política... - às vezes fecho-me sozinho, que é para não ter ninguém a perturbar. Olhe, não tem nada a ver, mas posso dar-lhe um exemplo. Quando foi a audiência do Presidente Clinton com o procurador que o estava a investigar, por causa do caso da Monica Lewinsky, foi um momento tão extraordinário, o Presidente dos Estados Unidos a sair da Casa Branca para ser interrogado no Ministério da Justiça, que eu fechei-me numa divisão lá de casa e disse: “Eu quero saborear isto, ver as caras, as reações, o conteúdo”. Portanto, os bons jogos de futebol são a mesma coisa. Quando é o Sporting, quando é Portugal, deixem-me estar sossegado.
Esta competição é organizada por três países que às vezes têm relações políticas tensas - Estados Unidos, Canadá, México... O futebol ainda consegue ser um território neutro ou a política invadiu o relvado?
Consegue, mas neste Mundial tem havido algumas invasõezinhas, de vez em quando, nomeadamente nas fronteiras, com alguns a serem mandados para trás.
Como é que olha para estes episódios?
Não gosto. Gosto que as pessoas sejam livres. E a FIFA está a deixar-se, um pouco, ser prejudicada no seu direito à liberdade de organização. Por isso, vejo com pena e com alguma revolta.
Podemos sonhar com Portugal campeão do Mundial?
Acho que sim. É difícil haver uma geração melhor do que esta. Pode haver sempre, mas esta é muito boa. Se estiver bem, acho que podemos sonhar.