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Estudo revela que Mundial'2026 pode gerar até 945 milhões de euros em Portugal

Lusa 02 de junho de 2026 às 09:28

Segundo o Instituto Português de Administração de Marketing.

O Mundial2026 de futebol poderá ter um impacto económico de 945 milhões de euros (ME) em Portugal, o maior de sempre em competições que o país não organizou, segundo um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM).

Seleção Nacional prepara participação no Mundial Lusa

Este estudo, com análise desde o período de estágio até à final da competição, estima que a participação lusa no torneio gere, pelo menos, 378 ME, caso Portugal fique pela fase de grupos, valor que poderá subir para 561 ME se alcançar os oitavos de final e atingir 945 ME num cenário de conquista inédita do título mundial.

"Estes valores nascem de pequenas decisões do dia-a-dia das pessoas. Se vemos os jogos em casa, comemos aperitivos e bebemos umas cervejas. Ou vamos a restaurantes e explanadas, compramos camisolas, cachecóis, ou aderimos a esta febre dos cromos. As pessoas subscrevem canais, as marcas investem em publicidade, até à pequena fatia que apanha um avião rumo aos Estados Unidos", explicou Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, em entrevista à agência Lusa.

Além destes fatores, a economia digital tem tido a maior progressão no ecossistema do futebol desde a edição de 2022, tendo agora as plataformas de 'streaming', as interações nas redes sociais e a criação de conteúdos por utilizadores um peso acumulado de 23% no 'bolo' total.

"No Mundial de 1966, com o Eusébio, podíamos ouvir a rádio, ler as notícias e ver as primeiras transmissões televisivas. Após 60 anos, consumimos o Campeonato do Mundo em tempo real, toda a hora, em multiplataformas e com todos os detalhes. Esta nova forma de consumir futebol tem um impacto muito significativo na economia portuguesa", sustentou Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, em entrevista à agência Lusa.

Esta transformação estrutural, que retira relevância ao consumo tradicional, ainda que este se mantenha predominante, leva a uma deslocalização do impacto económico, que deixa de residir no território onde o evento se realiza, o que acarreta desafios para Portugal na retenção de receitas do Mundial2030, do qual é um dos três países anfitriões.

"Quando olhamos para daqui a quatro anos e pensamos em hologramas, realidade aumentada e inteligência artificial, temos uma possibilidade ainda mais potente de maximizar este retorno, que não se fica apenas pelos turistas que vêm dormir aos nossos hotéis e comer aos nossos restaurantes", destacou.

Outro fator a considerar é a 'marca' Cristiano Ronaldo, perante a possibilidade de ser a última participação num Mundial do avançado do Al Nassr, que tem um impacto "indiscutível" em várias dimensões da realidade portuguesa, segundo o especialista.

"A 'marca' Cristiano Ronaldo tem um peso fortíssimo, é indiscutível. Ele vale mais, em termos de marca, do que toda a restante seleção junta. Não me refiro ao ponto de vista desportivo, única e exclusivamente de marca. É expectável que Ronaldo já não compita em 2030, mas parece-me que, caso seja a sua vontade e da própria Federação Portuguesa de Futebol, estará muito presente no Mundial2030, mesmo sem jogar", analisou.

Sendo a maior edição de sempre da competição, com 48 seleções participantes e 104 jogos, multiplicam-se as possibilidades de angariação de receitas, mas a sobrecarga do calendário pode gerar um excesso de oferta e uma consequente saturação do mercado, acredita Daniel Sá.

"Temos visto este problema com a saúde física e mental dos atletas, muitos deles a fazer 50, 60 jogos por ano. A ciência prova que já estamos a ir além do risco do saudável. Do ponto de vista do utilizador, é exatamente igual. Diria que termos jogos ao vivo praticamente 365 dias por ano cria um risco de saturação e pode gerar desgaste e desinteresse", refletiu.

Segundo o estudo, a organização tripartida entre Estados Unidos, Canadá e México abre novas perspetivas para a organização da competição, uma vez que se tratam de países com experiência e forte capacidade na exploração comercial de grandes eventos desportivos.

"Os Estados Unidos, mais em particular, têm uma tradição fortíssima. Além da dimensão que este Mundial2026 tem, acho que vamos todos assistir ao 'expertise' norte-americano. Conseguem tornar qualquer espetáculo desportivo num 'show', basta lembrarmos o que tem sido a Super Bowl, a NBA e as últimas edições dos Grandes Prémios da Fórmula 1 nos Estados Unidos. Existe esta expectativa de que o desporto seja elevado para outros patamares", explicou.

Será, portanto, uma grande oportunidade de expansão da modalidade para um dos principais mercados mundiais, onde o futebol tem mais dificuldades de implantação: "Há esse objetivo seguramente por trás da decisão da FIFA. Tivemos o Mundial1994, que deu um primeiro impulso muito significativo na paixão dos norte-americanos pelo futebol com os pés, porque eles gostam é do futebol com as mãos".

Para Daniel Sá, o Campeonato do Mundo poderá ser utilizado pelos Estados Unidos para passar uma "imagem mais amigável do país aos olhos do mundo" e restabelecer o 'soft power' norte-americano, amenizando um contexto de relações internacionais que se tem dificultado na presidência de Donald Trump.

"Basta pensarmos nestes três Mundiais de futebol: 2018 pela Rússia, 2022 pelo Qatar e, neste, vou destacar os Estados Unidos, perante uma presidência tão turbulenta. Estes eventos permitem uma 'lavagem de imagem' global. É uma fórmula que tem sido usada e assim continuará a ser no futuro", concluiu.

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